Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Municipios

CGU Questiona Tucano sobre R$ 1,2 Milhão em Obras Não Entregues

A Controladoria-Geral da União (CGU) solicitou explicações da Prefeitura de Tucano, na Bahia, por R$ 1,2 milhão pagos por obras de pavimentação não entregues, usando emendas Pix. A prefeitura nega má-fé, mas a CGU aponta evidências.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
17 de janeiro, 2026 · 12:25 3 min de leitura
Foto: Reprodução / Metrópoles
Foto: Reprodução / Metrópoles

A Controladoria-Geral da União (CGU) está exigindo explicações formais da Prefeitura de Tucano, município na região sisaleira da Bahia, após identificar o que parecem ser gastos e pagamentos irregulares na gestão municipal. O cerne do problema estaria no uso de verbas que vieram de emendas parlamentares, popularmente chamadas de “emendas Pix”.

Publicidade

As primeiras informações sobre o caso foram divulgadas pelo jornalista Tácio Lorran, do jornal Metrópoles. Segundo a apuração, o município teria feito um pagamento de R$ 1,2 milhão por um contrato de obras de pavimentação, mas, surpreendentemente, as melhorias não foram entregues. Esse valor questionado faz parte dos R$ 19 milhões em emendas Pix que a cidade recebeu ao longo de 2024. Os detalhes desse contrato aditivo, que está sob análise, constam nos documentos obtidos pela CGU.

Prefeitura nega má-fé, mas CGU mostra evidências em contrário

Em sua resposta à solicitação da Controladoria, a gestão de Tucano, comandada pelo prefeito Ricardo Maia Filho (MDB), filho do deputado federal Ricardo Maia, afirmou que, durante a vistoria, os serviços ainda estavam em andamento. A prefeitura argumentou que a ausência de calçadas, sinalização ou o acabamento final não deve ser confundida com o não cumprimento do contrato, mas sim com “etapas subsequentes do cronograma físico-financeiro”.

A gestão municipal também negou que tenha agido com má-fé e se comprometeu a cobrar da construtora Santana Silva Construções e Serviços Eirelli a entrega das obras que foram custeadas com as emendas Pix.

Publicidade

Contudo, a justificativa do município foi rebatida veementemente pela CGU. A Controladoria declarou que “essa abordagem não se sustenta diante das evidências coletadas”. Para sustentar sua posição, o órgão apresentou fotografias, dados de georreferenciamento, inspeções conjuntas com engenheiros da própria Prefeitura e entrevistas com moradores, que apontam para a não execução das obras.

Notas fiscais atestadas e falhas nos procedimentos

Um ponto de grande atenção na análise da CGU é que o prefeito Ricardo Maia teria “carimbado” as notas fiscais, atestando que a empreiteira Santana Silva Construções e Serviços Eirelli havia, de fato, concluído as obras. Sobre isso, Maia respondeu que pode ter “havido falhas” no momento do atesto formal, ou seja, da assinatura que confirmava a realização do serviço.

“Frise-se que os pagamentos realizados pela Prefeitura à empresa Santana Silva não se referem a valores de pouca monta – são processos que chegam a R$ 800 – 900 mil. A empresa, mesmo ciente da não execução de todos os itens do serviço, apresentou boletins de medição assinados por seu sócio e pelo engenheiro responsável, e emitiu notas fiscais desses montantes requerendo os pagamentos”, destacou a Controladoria, desmentindo que o contrato tenha sido uma “mera antecipação de pagamento de serviços”.

No relatório, a CGU elenca uma série de outras irregularidades na forma como as emendas Pix foram aplicadas. Por exemplo, a prefeitura não especificou quais ruas seriam pavimentadas e não anexou os documentos técnicos necessários para o planejamento e a execução da obra. A Controladoria considerou, ainda, que a descrição do trabalho de pavimentação foi feita de modo muito “genérico”, o que prejudicou significativamente o acompanhamento e a fiscalização dos gastos públicos.

A Controladoria-Geral da União segue atenta aos desdobramentos, esperando que a Prefeitura de Tucano esclareça as pendências para assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e a entrega das obras prometidas à população.

Leia também