A promotora de justiça Thelma Leal, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Consumidor, participou nesta quinta-feira (10) do programa Bahia Notícias no Ar, na rádio Antena 1 Salvador. Ela falou sobre a onda de violência ligada a torcidas organizadas e explicou como o Ministério Público da Bahia tem atuado nesses casos.
Durante a entrevista, Thelma Leal afirmou que acabar com as torcidas organizadas não é uma solução vantajosa para nenhuma das partes envolvidas. "A extinção da torcida organizada não interessa a ninguém", disse.
A promotora lembrou que experiências de extinção de torcidas em outros estados brasileiros não deram certo. Segundo ela, manter essas entidades formalmente constituídas ajuda o Ministério Público e as forças de segurança a monitorar e responsabilizar os envolvidos em episódios de violência. "É melhor você conhecer quem está do outro lado do que não conhecer com quem você está lidando", declarou.
Ainda de acordo com Thelma Leal, o fato de haver punições administrativas não impede que casos mais graves sejam levados à Justiça. "Isso não significa que a gente não possa avançar com uma punição ainda maior através de um processo judicial", explicou.
Atualmente, as torcidas Bamor e Os Imbatíveis estão proibidas de comparecer a eventos esportivos portando faixas, bandeiras, vestimentas e instrumentos musicais, pelo prazo de seis meses. A medida está em vigor desde 3 de setembro e foi formalizada pelo Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), com respaldo do Ministério Público, da Lei Geral do Esporte e dos Termos de Ajustamento de Conduta firmados em 2022. A punição veio depois da reincidência de episódios de violência envolvendo as duas torcidas, que teve mais um capítulo no Ba-Vi de 23 de agosto.
Thelma Leal também citou um caso anterior, ocorrido no bairro de São Caetano, em Salvador, que resultou em ação judicial movida pela promotoria pedindo o afastamento das duas torcidas de eventos esportivos por dois anos. Segundo boletim do próprio Ministério Público, esse episódio teve como motivação atos de violência e tumulto registrados nas proximidades do Largo do Argeral, em setembro de 2022.
Para uniformizar o entendimento sobre esses casos, está marcado para a tarde desta quinta-feira um encontro com Juízes de Garantias, no fórum de Sussuarana. O Ministério Público afirma manter alinhamento constante com o Juízo do Torcedor, da 16ª Vara, para dar respostas rápidas às demandas da Justiça relacionadas a torcidas organizadas.







