O vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, foi direto ao ponto em entrevista concedida durante o lançamento do SUV elétrico Sea Lion 7, em Goiânia, nesta terça-feira (27): a meta de 10 mil trabalhadores no complexo industrial de Camaçari, na Bahia, até o final de 2026 é, nas palavras dele, "um compromisso inegociável" com o estado.
A declaração reforça o ritmo acelerado de contratações que a montadora chinesa vem mantendo desde a inauguração da fábrica, em outubro de 2025. Segundo informações divulgadas pela empresa, o complexo já conta com quase 4 mil colaboradores diretos brasileiros e, somando os cerca de 3.700 trabalhadores das construtoras terceirizadas responsáveis pelas obras de ampliação, o total deve atingir aproximadamente 10 mil profissionais ainda este ano.
Baldy explicou que o próximo salto nas contratações virá com a entrada em operação das novas etapas produtivas. As contratações acompanham o avanço das próximas fases industriais da fábrica, incluindo a entrada em operação das futuras linhas de soldagem, estamparia e pintura, previstas para este ano. Para o executivo, é justamente nesse momento que "o volume de contratações ganha escala", já que a fábrica passará a fabricar componentes internamente, exigindo uma força de trabalho ainda maior e mais especializada.
Segundo dados divulgados pela montadora, 90% dos funcionários da BYD no Brasil são baianos, enquanto 57% residem em Camaçari. O perfil local da mão de obra é central na estratégia da empresa. Baldy afirmou que o trabalhador baiano contratado hoje está "sendo preparado para o futuro da indústria automotiva mundial", tamanha a tecnologia envolvida nas operações.
A planta de Camaçari abriga uma das mais modernas estruturas fabris automotivas da América Latina, com 4,6 milhões de metros quadrados de área. A linha de produção mista permite a fabricação simultânea de modelos híbridos e 100% elétricos. Projetado para ser o maior complexo industrial da empresa fora da Ásia, o empreendimento recebeu investimentos de R$ 5,5 bilhões.
Além dos números de emprego, Baldy destacou o compromisso tecnológico da operação baiana. A fábrica será o principal polo de produção da tecnologia híbrida plug-in flex, que combina bateria elétrica com etanol como combustível principal. O sistema foi projetado e construído especialmente para o Brasil, numa tecnologia desenvolvida em cooperação entre engenheiros brasileiros e chineses, projetada para funcionar com qualquer proporção de etanol e gasolina.
Na fábrica, são produzidos três modelos até o momento: King, Song Pro e Dolphin Mini, o elétrico mais vendido do país. Com toda a produção nacional, a BYD espera chegar a oito modelos fabricados na planta baiana. Atualmente, quatro carros saem da unidade: Dolphin Mini, Dolphin, Song Pro e King.
O horizonte é ainda mais ambicioso a longo prazo. A expectativa da BYD é que o complexo industrial de Camaçari gere cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos quando estiver em plena operação. Quem quiser concorrer às vagas pode se candidatar pelo SineBahia, pelo CIAT de Camaçari ou pela plataforma Gupy, no endereço bydbrasil.gupy.io. A empresa reforça que não cobra por participação em processos seletivos.







