Os professores da educação básica das escolas particulares da Bahia têm mais uma paralisação marcada para esta quinta-feira (16). A Assembleia Geral Extraordinária Permanente da Data-Base 2026, convocada pelo Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (SINPRO-BA), ocorre a partir das 8h no Auditório Jorge Amado, no Real Classic Bahia Hotel, no bairro da Pituba, em Salvador, com transmissão on-line, e acontece em meio ao impasse nas negociações da campanha salarial entre os docentes e o sindicato patronal.
A movimentação ganhou ainda mais tensão na véspera. Segundo informações divulgadas pelo BNews, o SINPRO-BA emitiu nota na quarta-feira (15) rejeitando um comunicado publicado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (SINEPE-BA). O patronal havia informado que teria assegurado à categoria bolsas de estudo para filhos de professores e coordenadores — entre 80% e 90% — além de férias unificadas para 2027 e 2028. O SINPRO-BA contesta essa versão e acusa o SINEPE-BA de omitir informações para fazer os professores parecerem "intransigentes e irresponsáveis".
Segundo o presidente do SINPRO-BA, Allysson Mustafa, a categoria reivindica reajuste salarial, valorização profissional e melhores condições de trabalho. Entre as principais reclamações está a sobrecarga de atividades realizadas sem remuneração específica, como tarefas administrativas, elaboração e correção de avaliações.
Em nota, o SINPRO-BA informou que, na última rodada de negociação realizada em 27 de maio, as escolas particulares rejeitaram as reivindicações da categoria, que incluem reajuste salarial, qualificação do piso, ampliação do recesso e regulamentação, com remuneração específica, das atividades realizadas fora da jornada regular.
O embate entre os dois sindicatos não é novo. Os professores haviam aprovado, por unanimidade, o estado de greve em assembleia realizada em Salvador no dia 9 de junho, após cinco rodadas de negociação com o SINEPE-BA que, segundo os professores, não avançaram o suficiente para atender às demandas da categoria. Com o estado de greve, os professores entraram em regime de mobilização permanente, mantendo a possibilidade de paralisação — sem que isso implique interrupção imediata das atividades — caso não haja progresso nas discussões.
Na rodada de negociação realizada em 8 de julho, o sindicato patronal apresentou proposta de reajuste salarial de 4,11%, com aplicação na folha de julho e pagamento em agosto, além do retroativo referente aos meses de maio e junho. Também foram oferecidas a manutenção das bolsas de estudo, ampliação do recesso de meio de ano para 19 dias em 2026 e a criação de grupos de trabalho para discutir o excesso de atividades dos docentes.
Os professores demonstram preocupação com propostas apresentadas pelo setor patronal que, segundo o sindicato, podem reduzir direitos já conquistados, como o período de recesso e a concessão de bolsas de estudo para filhos de docentes. Apesar dos anúncios do SINEPE-BA sobre avanços, representantes da categoria afirmaram não enxergar progressos concretos nas tratativas.
Segundo o sindicato dos professores, a categoria tenta chegar a um acordo desde março e reivindica a preservação de direitos e melhores condições de trabalho. O desfecho da assembleia desta quinta pode definir se a paralisação evolui para uma greve formal nas escolas privadas do estado.







