A greve dos rodoviários de Salvador começou a fazer vítimas ainda nas primeiras horas desta sexta-feira (22). Passageiros que madrugaram nos pontos de ônibus encontraram terminais vazios, filas crescentes e nenhuma previsão de atendimento — mesmo com uma determinação judicial em vigor para que ao menos 60% da frota circulasse nos horários de pico.
No Subúrbio Ferroviário, uma das regiões mais populosas da capital baiana e com forte dependência do transporte público, o impacto foi imediato. Bairros como Cajazeiras, Subúrbio Ferroviário e Sussuarana figuram entre os mais vulneráveis em paralisações do tipo, com moradores que dependem dos ônibus para chegar ao trabalho, a escolas e a serviços de saúde. Na Avenida Suburbana, pontos de ônibus amanheceram lotados. Em Plataforma, vans do transporte complementar acumularam passageiros na descida do bairro, nas proximidades do Parque São Bartolomeu, e no ponto do Lobato.
Na Estação Iguatemi, o cenário não foi diferente. Uma passageira identificada como Ana Maria relatou que esperava desde as 5h da manhã sem que nenhum coletivo tivesse passado. Outra trabalhadora, Edna, disse ter vindo do bairro do Garça até o terminal sem encontrar um único ônibus no trajeto e lamentou que chegaria atrasada ao emprego por conta da paralisação.
A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) confirmou que, até por volta das 6h30 desta sexta-feira, nenhuma garagem de ônibus da capital havia iniciado a operação — o que caracteriza descumprimento da decisão judicial que determina a circulação de 60% da frota nos horários de pico e 40% nos demais períodos. Agentes da pasta foram deslocados para os principais terminais e garagens para monitorar a situação.
Como medida de contingência, a prefeitura acionou 180 ônibus do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC) para os principais corredores da cidade, mas o volume foi insuficiente para absorver a demanda nas primeiras horas do dia.
A greve foi deflagrada após mais de uma rodada de negociação entre a categoria, empresários do transporte e o Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-5) terminar sem acordo na quinta-feira (21). Após a reunião, os trabalhadores realizaram uma assembleia permanente na sede do sindicato e aprovaram a paralisação das atividades.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, as negociações se arrastam há cerca de 60 dias sem avanço nas reivindicações da categoria. Os trabalhadores afirmam que os empresários mantiveram a proposta de reajuste salarial de 2,36%, percentual rejeitado pelos rodoviários. Entre as principais reivindicações da categoria estão também aumento no valor do ticket alimentação, mudanças nas cartas horárias e redução das jornadas consideradas excessivas.
A decisão pela greve aconteceu após a segunda reunião mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5) terminar novamente sem acordo entre o setor patronal e os trabalhadores do transporte público de Salvador. O Sindicato dos Rodoviários afirmou que a proposta apresentada pela Justiça do Trabalho era considerada "defensável" pela categoria, mas os empresários não aceitaram os termos sugeridos durante a mediação.
A rotina de mais de um milhão de cidadãos que dependem diariamente do transporte coletivo em Salvador está sob forte ameaça. Sem previsão de acordo, a paralisação segue por tempo indeterminado, e uma nova assembleia do sindicato estava prevista para esta manhã para avaliar eventual proposta das empresas.







