Salvador amanheceu nesta sexta-feira, 22 de maio, com o transporte coletivo quase paralisado. A greve dos rodoviários foi confirmada após mais uma rodada de negociações mediada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5) terminar sem acordo entre empresários e trabalhadores. Com os ônibus fora de circulação, quem precisou se deslocar pela cidade encontrou uma conta bem mais salgada nos aplicativos de transporte.
Levantamento divulgado pelo portal A Tarde mostra que, em diferentes trechos da capital baiana, os valores das corridas por aplicativo chegaram a quase triplicar em relação a dias normais. No trecho entre Mussurunga e Boca do Rio, por exemplo, o preço de carro saiu por R$ 33,40 — contra R$ 15,00 em dias comuns. Para moto, a alta foi de R$ 9,00 para R$ 16,38. Já no trajeto entre a Avenida ACM e São Cristóvão, a corrida de carro foi de R$ 20,00 para R$ 55,45, segundo as informações divulgadas pela reportagem do veículo.
O fenômeno é conhecido no mercado de aplicativos como "preço dinâmico" ou surge pricing: quando a demanda dispara e a oferta de motoristas não acompanha, os algoritmos das plataformas elevam automaticamente os valores. Em uma cidade onde mais de um milhão de cidadãos dependem diariamente do transporte coletivo, qualquer paralisação transforma os apps de transporte em vilões do bolso.
Segundo comunicado do Sindicato dos Rodoviários, a categoria entrou em greve "após quase 60 dias de tentativas de negociações e muito descaso à pauta de reivindicações dos trabalhadores". Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial com ganho real, aumento do tíquete-alimentação, redução da jornada para seis horas e melhorias nas condições de trabalho.
Para tentar amenizar o caos, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) acionou um plano de contingência. Segundo informações da fonte original, por volta das 6h30 não havia registro de saída de ônibus das garagens, mesmo com decisão judicial que determinava a circulação de 60% da frota nos horários de pico. A gestão municipal informou que o atendimento também seria prestado pelos 180 ônibus do Sistema de Transporte Complementar (STEC). Agentes da pasta foram enviados aos terminais e garagens para monitorar a movimentação ao longo do dia.
Para o soteropolitano, a palavra "greve" é sinônimo de transtornos. Com a dependência massiva do transporte coletivo, qualquer paralisação impacta diretamente a economia local, a frequência escolar e o acesso a serviços de saúde. O Subúrbio Ferroviário esteve entre as regiões mais afetadas, segundo informações divulgadas pelo portal A Tarde.
O Sindicato dos Rodoviários realizou, ainda nesta sexta-feira, nova assembleia às 8h para decidir os rumos da greve, colocando em votação uma proposta apresentada pelo TRT-5. Segundo o Sindicato, a proposta apresentada pela Justiça do Trabalho durante a audiência era considerada "defensável" pela categoria, mas os empresários não aceitaram os termos sugeridos pelo tribunal, o que levou ao impasse nas negociações. Até o fechamento desta reportagem, a paralisação seguia por tempo indeterminado.







