A indústria automotiva brasileira teve um ano de 2025 com excelentes notícias nas exportações. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil exportou 528 mil veículos para outros países, registrando um aumento impressionante de 32%.
Esse bom desempenho garantiu um saldo positivo na balança comercial do setor, já que o número de veículos importados ficou um pouco abaixo, com 498 mil unidades chegando ao país no mesmo período.
Atenção ligada para as importações crescentes
Mesmo com o recorde nas exportações, a Anfavea não escondeu sua preocupação com outro movimento do mercado: o avanço das importações. A entrada de veículos estrangeiros no Brasil cresceu 6,6%, e o que mais chama a atenção é a origem desses carros.
Pela primeira vez, países que não têm acordos de livre comércio com o Brasil impulsionaram esse crescimento. A China, por exemplo, foi responsável por nada menos que 37% dos veículos importados que foram emplacados aqui. Isso fez com que o tradicional domínio de países do Mercosul e do México no ranking de importações ficasse para trás.
O perigo das cotas de kits semidesmontados
A preocupação da associação não para por aí. Há um grande alerta sobre a possibilidade de prorrogação das cotas de importação para os chamados kits SKD (semidesmontados) e CKD (completamente desmontados). O volume desses kits chega a US$ 436 milhões, o que equivale a cerca de 30 mil automóveis.
O prazo atual para o fim dessas cotas está marcado para 31 de janeiro de 2026. A Anfavea teme que, caso essa regra seja renovada, os impactos negativos na economia e nos empregos sejam enormes.
“Caso haja renovação do regime, no cenário mais extremo, pode ocorrer uma perda superior a R$ 103 bilhões, devido à redução de compras no setor de autopeças, fornecedores nacionais e arrecadação de impostos”, explicou Igor Calvet, diretor-executivo da Anfavea.
Calvet ainda reforçou a gravidade da situação. Ele apontou que, em uma hipótese extrema onde as empresas mudassem simultaneamente para a produção com modelos SKD e CKD, o Brasil poderia deixar de exportar até R$ 42 bilhões. Além do prejuízo financeiro, essa mudança custaria cerca de 277 mil empregos, tanto diretos quanto indiretos, dentro do setor automotivo.







