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Dirigente patronal admite que greve forte pode derrubar acordo de férias nas escolas privadas da Bahia

Wilson Abdon, presidente do SINEPE-BA, reconhece que adesão expressiva às paralisações de julho pode forçar as instituições a rever o calendário de dezembro.

Redação ChicoSabeTudo
20 de julho, 2026 · 05:07 3 min de leitura
Fachada de escola particular na Bahia com cartaz de paralisação de professores
Fachada de escola particular na Bahia com cartaz de paralisação de professores

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (SINEPE-BA), Wilson Abdon, abriu um flanco importante no impasse entre escolas particulares e professores da rede privada. Ao comentar as paralisações programadas pelo SINPRO-BA para esta semana, ele admitiu que uma adesão expressiva ao movimento pode obrigar as instituições a reverem o planejamento de fim de ano — e colocar em risco a unificação das férias em dezembro, ponto já acordado entre os dois sindicatos.

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"Caso a paralisação seja forte na maioria das escolas, a unificação das férias começa a ser questionada", declarou Abdon ao portal BNews. Antes disso, o dirigente afirmou acreditar que o impacto será limitado e que o acordo de dezembro seria mantido. Mas a ressalva ficou no ar.

Professores da rede particular da Bahia decidiram manter o estado de greve após assembleia realizada na quinta-feira (16), mas optaram por não iniciar uma paralisação por tempo indeterminado neste momento, aprovando paralisações de 50 minutos nos dias 20, 22 e 24 de julho. Os atos ocorrem nos turnos matutino e vespertino e envolvem docentes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio.

Para os profissionais da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, a forma de paralisação será definida por cada escola. A categoria manteve o indicativo de greve, sob aviso de que uma paralisação por tempo indeterminado pode ser aprovada em uma próxima assembleia, caso não haja progresso nas negociações.

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O pano de fundo é uma campanha salarial travada desde março. Segundo informações divulgadas pelo BNews, o SINPRO-BA pede reajuste de 25% no piso salarial, correção dos salários pelo INPC com ganho real de 5%, remuneração específica por atividades ligadas à inclusão escolar, além de planos de saúde e odontológico. O sindicato patronal, por sua vez, ofereceu reajuste salarial de 4,11%, correspondente à variação do INPC, com pagamento previsto na folha de julho.

O SINPRO-BA informou que permanece aberto às negociações com o SINEPE-BA, mas afirmou que nenhuma das propostas apresentadas pelos representantes das escolas foi aceita pela categoria. O sindicato patronal, por sua vez, criticou a convocação de novas paralisações, argumentando que a medida compromete o processo de negociação e pode trazer impactos para o calendário escolar.

Para o SINEPE-BA, as reivindicações dos professores são financeiramente incompatíveis com a realidade das escolas. Segundo informações divulgadas pela entidade patronal ao BNews, cerca de 65% a 70% do faturamento das escolas já é destinado ao pagamento das equipes pedagógica e administrativa, enquanto a margem operacional das instituições está abaixo de 4,5%. O setor ainda aponta queda nas matrículas da rede privada e aumento da inadimplência como fatores adicionais de pressão.

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Dados do Educacenso de 2025 citados pelo BNews mostram que a Bahia possui 2.573 escolas privadas, responsáveis por mais de 509 mil matrículas. Mais da metade dessas instituições atende até 200 estudantes — exatamente o perfil que, segundo o SINEPE-BA, seria o mais vulnerável a um aumento expressivo dos custos trabalhistas. O calendário escolar do segundo semestre segue, portanto, na dependência de um acordo que, por enquanto, não tem data para sair.

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