O Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) reúne, neste domingo (22), representantes de entidades, empresas, sindicatos e da sociedade civil para debater um dado que impressiona: a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil é de 15,2% — o dobro da média nacional de 7,7%, segundo levantamento do Banco Mundial.
A Audiência Coletiva "Empregabilidade LGBTQIAPN+ – Conexão pela Diversidade" começa às 8h no auditório do MPT-SE, na Avenida Desembargador Maynard, nº 72, bairro Cirurgia, em Aracaju. O evento é aberto ao público e integra um projeto nacional do Ministério Público do Trabalho voltado à promoção da diversidade no mercado de trabalho.
Dados do Banco Mundial informam que 46% de trabalhadores LGBTQIAPN+ estão na informalidade e 37,4% estão sem trabalho e desistiram de procurar emprego. O cenário tem impacto direto nas contas públicas do país: a discriminação e a exclusão social de pessoas LGBT+ no mercado de trabalho brasileiro resultam em uma perda econômica anual de R$ 94,4 bilhões, o equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB).
Os principais motivos que explicam esse cenário são a dificuldade de acesso a oportunidades, a subutilização de qualificações profissionais e a saída do mercado de trabalho em decorrência de experiências de estigma e discriminação. Quando se trata de mulheres e de pessoas negras, há um somatório de estigmas que tornam as barreiras laborais ainda maiores. Dentro do segmento LGBT+, homens brancos têm menor penalidade salarial (-6%), enquanto mulheres pretas são penalizadas em -13%. Mulheres trans negras enfrentam taxas de desemprego até três vezes maiores e rendimentos até 40% menores.
A vice-procuradora-chefa do MPT-SE e coordenadora regional da Coordigualdade, Clarisse Farias Malta, destaca que o objetivo vai além do debate. "A ideia é ouvir diferentes perspectivas e, a partir delas, construir ações concretas que contribuam para a promoção de ambientes de trabalho mais inclusivos, diversos e respeitosos", ressaltou a procuradora.
Nas últimas semanas, o MPT-SE realizou audiências prévias com representantes de associações e entidades que defendem os direitos da população LGBT, além da Defensoria Pública do Estado (DPE), secretarias e conselhos, onde foi possível constatar os desafios enfrentados. As informações obtidas durante esses encontros integram a preparação para o evento.
Além da Dialogay, filiada à CUT-SE, estiveram presentes nas reuniões preparatórias representantes da ASTRA, da Unidas, do grupo Mães pela Diversidade e do Centro de Referência LGBTQIAPN+. Desde a reunião preparatória, as organizações apresentaram demandas, fizeram denúncias, contaram experiências realizadas e apresentaram propostas para o fortalecimento das políticas públicas.
A pesquisa do Banco Mundial aponta que 7 em cada 10 profissionais LGBT+ deixam de se candidatar a vagas ou consideram desistir de oportunidades devido à preocupação com a cultura da empresa e com a segurança psicológica. Para o MPT-SE, a audiência é uma oportunidade de transformar esse cenário em políticas concretas, unindo poder público, iniciativa privada e movimentos sociais em torno de um mesmo objetivo.
A participação é aberta a qualquer cidadão. O auditório do MPT-SE fica na Avenida Desembargador Maynard, nº 72, bairro Cirurgia, Aracaju (SE). O evento tem início às 8h.







