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Emprego

Atrás dos arraiais: a cadeia de trabalhadores que vive do São João no Nordeste

Costureiras, compositores, cenógrafos e maquiadores trabalham meses para fazer os festejos juninos acontecerem — e o setor movimenta bilhões todos os anos.

Redação ChicoSabeTudo
23 de junho, 2026 · 16:19 3 min de leitura
Quadrilha junina com figurinos coloridos se apresentando em arraial do Nordeste
Quadrilha junina com figurinos coloridos se apresentando em arraial do Nordeste

Quando as luzes do arraial se acendem e a quadrilha entra em cena, o espetáculo parece surgir do nada. Mas por trás das coreografias, dos figurinos e das trilhas sonoras, existe uma engrenagem movida por gente que trabalha durante meses para que tudo esteja no lugar na hora certa.

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Compositores, costureiras, cenógrafos, maquiadores, artesãos e produtores culturais estão entre os muitos profissionais que encontram nos festejos juninos uma importante fonte de renda. O que durante décadas foi visto apenas como manifestação cultural passou a representar, também, uma das principais janelas de trabalho e geração de renda do calendário nordestino.

Esse lado pouco visível do São João ganhou atenção em reportagem especial do programa Fique Alerta, da TV Pajuçara, em Alagoas. A série "Da Europa ao Sertão: como se faz um São João", apresentada pela jornalista Mônica Ermírio, mostra como grupos juninos investem em espetáculos cada vez mais elaborados — com enredos próprios, figurinos exclusivos e produções que envolvem dezenas de profissionais. Segundo informações divulgadas pelo veículo, os grupos buscam mais apoio e investimento para continuar crescendo.

A produção das quadrilhas envolve costureiras, artesãos, músicos, cenógrafos e outros trabalhadores ligados aos festejos juninos. Os grupos trabalham durante o ano na elaboração de temas, músicas, cenários e roupas utilizadas durante as apresentações.

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Na Bahia, o fenômeno tem dimensões concretas. O Campeonato Estadual de Quadrilhas Juninas da Bahia de 2026 reuniu 60 grupos de diversas regiões do estado. Para lideranças do setor produtivo nordestino, o movimento junino não se limita à preservação da identidade regional, mas atua como um motor de desenvolvimento que gera emprego, renda e impacto social direto nas localidades onde as quadrilhas estão inseridas.

Os números do setor confirmam essa percepção. Em 2025, as festas juninas movimentaram aproximadamente R$ 7,4 bilhões na economia brasileira, consolidando-se entre os eventos mais relevantes do calendário nacional. Na Bahia especificamente, a expectativa para o São João 2026 é que o estado supere o recorde de 1,8 milhão de visitantes que injetaram R$ 2,3 bilhões na economia local no ano anterior.

Segundo levantamento do Ministério do Turismo, apenas cinco dos principais destinos do período devem movimentar cerca de R$ 2,4 bilhões ao longo do mês de junho. O impacto, porém, vai muito além dos palcos principais. Cidades do interior nordestino, incluindo municípios do sertão baiano e da região do São Francisco, também sentem esse fluxo — em vendas de tecido, contratação de costureiras locais, produção de adereços e aluguel de espaços.

Com coreografias elaboradas, figurinos temáticos, enredos que dialogam com a realidade social e manifestações artísticas que unem dança, teatro e música, os grupos movimentam milhares de pessoas todos os anos. Além de preservar costumes e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural, os grupos juninos desempenham papel importante na geração de renda para costureiras, artesãos, músicos, cenógrafos e diversos profissionais envolvidos na produção dos espetáculos.

O desafio que permanece, segundo os próprios grupos, é a dependência de apoio público para manter essa estrutura funcionando. Sem investimento contínuo, muitos profissionais ficam sem garantia de trabalho fora do período junino. A cultura que anima o Nordeste inteiro ainda espera políticas que reconheçam, de forma permanente, o peso econômico que carrega.

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