O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira (8 de setembro de 2026) a retirada da tornozeleira eletrônica de Ahmed Mohamad Oliveira Andrade, antes chamado José Carlos Oliveira. Ele foi ministro do Trabalho no governo de Jair Bolsonaro e presidiu o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A informação foi divulgada pelo jornalista Bernardo Lima, do jornal O Globo. Ahmed é investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento em um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. Ele foi preso em novembro de 2025 e, desde então, estava sob monitoramento eletrônico.
A decisão de Mendonça seguiu recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o órgão, não havia registro de que o investigado tivesse atrapalhado as apurações em curso.
Mesmo com a retirada do equipamento, outras medidas cautelares foram mantidas. Ahmed segue proibido de manter contato com outros investigados e de deixar o país, além de ter que entregar o passaporte em até 24 horas. De acordo com o Metrópoles, também permanecem proibições de contato com testemunhas, de frequentar entidades associativas ligadas ao caso e de acessar unidades do INSS e da Dataprev.
Segundo a Polícia Federal, Ahmed teria desempenhado papel estratégico para o funcionamento e a proteção do esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS. As investigações também apontam fortes indícios de que as fraudes já estavam em curso durante o período em que ele esteve à frente da pasta responsável pela Previdência, entre março e dezembro de 2022.
A Agência Brasil, citando relatório da Polícia Federal, informou que Ahmed teria sido destinatário de R$ 100 mil em propina paga pela Conafer, associação que teria se beneficiado de descontos irregulares associados às aposentadorias. Segundo esse relatório, o pagamento teria ocorrido em troca de facilitação dos interesses da entidade.
A decisão de Mendonça não se limitou ao caso de Ahmed. Segundo o Metrópoles, o ministro assinou ao todo quatro decisões na mesma terça-feira, revogando tornozeleiras de outros dois investigados da chamada Operação Sem Desconto — Pedro Alves Corrêa Neto e Gilmar Stelo — além de determinar a soltura de Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, que passou a ser monitorado eletronicamente. Segundo o ministro, já haviam sido concluídas as diligências anteriores à elaboração do relatório final da investigação sobre os quatro citados.
Ainda de acordo com o Estado de Minas, a investigação apura descontos ilegais em aposentadorias e pensões, além de empréstimos consignados fraudulentos. O veículo também descreve Ahmed como servidor de carreira do INSS.







