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Senhor do Bonfim avança para ser o primeiro município baiano a realizar Guerra de Espadas dentro da lei

TAC assinado com o MP-BA, espadódromo em análise e parceria com fábrica mineira para certificar os artefatos fazem de Bonfim referência nacional na regulamentação da tradição junina.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Cultura
08 de junho, 2026 · 07:13 3 min de leitura

A Guerra de Espadas pode virar realidade legal no São João de Senhor do Bonfim — e pela primeira vez em toda a Bahia. Após oito anos de proibição, a tradicional manifestação junina da cidade dá um passo decisivo para voltar a acontecer de forma regulamentada e segura. O município, localizado no norte do estado, se tornou o único da Bahia a obter esse avanço, resultado de anos de negociação entre espadeiros, poder público e Ministério Público.

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Em dezembro de 2025, foi assinado na sede do Ministério Público de Senhor do Bonfim o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabelece as bases jurídicas e operacionais para a retomada da manifestação cultural, com perspectiva de retorno já no São João de 2026. O acordo foi firmado pelos promotores de Justiça Felipe Pazzola e Isabela Santana, pelo prefeito Laércio Júnior, pelo presidente da Câmara de Vereadores Ary Urbano, pelo comandante do 6º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Nivaldo Mascarenhas, além de secretários municipais e do presidente da Associação Cultural dos Espadeiros de Senhor do Bonfim (ACESB), Alex Barbosa.

As regras são rigorosas. Pelo TAC, a realização da guerra de espadas ficará condicionada ao uso de um espaço exclusivo, que receberá o nome de "espadódromo". O local deverá garantir distanciamento rígido e seguro em relação a hospitais, escolas, residências e postos de combustíveis. O município também terá de prover isolamento do perímetro por barreiras de concreto ou grades, além de iluminação de emergência, rotas de fuga sinalizadas, brigadistas, pontos de primeiros socorros e unidades de saúde em alerta total. O descumprimento de qualquer cláusula pode resultar em multa diária de R$ 20 mil tanto para a prefeitura quanto para a associação responsável.

O principal entrave para que a brincadeira aconteça ainda em 2025 é a homologação dos artefatos pelo Exército Brasileiro. O processo de certificação pode não ser concluído antes do São João deste ano. A solução encontrada foi firmar parceria com uma empresa de Minas Gerais, estado que já possui estrutura legal para trabalhar com produtos controlados pelo Exército. A empresa mineira está desenvolvendo um protótipo da espada que será submetido a uma série de testes: primeiro pelo SENAI, responsável pela certificação técnica, e depois seguirá para homologação militar.

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Alex Barbosa, presidente da ACESB, reconhece o desafio do calendário. "Talvez a gente não consiga ter tempo porque o Exército não homologa de um dia para a noite", resume o dirigente. Se a homologação não chegar a tempo, uma alternativa já é discutida entre os envolvidos: realizar uma celebração especial em julho ou agosto para marcar oficialmente o retorno da tradição.

A proibição da guerra de espadas na Bahia tem uma longa história. A prática foi vedada pela primeira vez em Cruz das Almas, em 2011, a partir de pedido do Ministério Público da Bahia. A partir de 2017, o MP-BA estendeu a proibição a todo o estado, e em 2019 o Supremo Tribunal Federal acatou a decisão, mantendo a criminalização. O principal fundamento jurídico é a Lei do Desarmamento, que classifica como ilegal qualquer artefato explosivo sem registro no Ministério do Exército.

Na contramão da repressão, Senhor do Bonfim decidiu apostar em um modelo de regulamentação, diferente de outras cidades onde a discussão se concentra na simples liberação da guerra de espadas. A ACESB conquistou reconhecimento como entidade de utilidade pública tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa da Bahia. Em 2 de junho de 2025, segundo informações da fonte original, os vereadores aprovaram projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a adotar medidas de apoio estrutural à tradição.

O coordenador da Promotoria Regional de Senhor do Bonfim, Felipe Pazzola, afirmou que o acordo é resultado de um trabalho técnico e interinstitucional que "buscou adequar a manifestação cultural às normas técnicas e de controle de produtos perigosos, garantindo que a tradição seja mantida sem comprometer a segurança pública". Para os espadeiros, esse caminho representa mais do que uma autorização temporária: é a busca por uma solução definitiva que preserve a identidade bonfinense e sirva de modelo para o restante do Brasil.

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