Salvador foi palco, na última sexta-feira (31), de um encontro internacional que reuniu mestres, praticantes e pesquisadores de capoeira do Brasil e do Japão. O evento aconteceu na Casa da Capoeira Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana, e teve como tema central "Capoeira Gerais".
A programação incluiu vivências, rodas, demonstrações e momentos de diálogo voltados à valorização da ancestralidade e da memória afro-brasileira. Segundo informações divulgadas pela publicação A Tarde, a iniciativa integra uma série de ações voltadas ao fortalecimento da capoeira como ferramenta de educação, inclusão social e preservação cultural.
A organização do intercâmbio contou com representantes de três estados e países diferentes: Mestre Mão Branca, de Minas Gerais, Mestre Pitbull, da Bahia, e Contramestre Pica Pau, representante do Japão. A presença de um contramestre radicado no país asiático ilustra o alcance que a capoeira ganhou ao longo das últimas décadas.
Para o presidente da Casa da Capoeira Pelourinho, Mestre Pitbull, o encontro evidencia o poder agregador da capoeira além das fronteiras nacionais. "Este encontro representa a força da capoeira como instrumento de integração entre diferentes culturas, rompendo fronteiras e unindo pessoas por meio da ancestralidade", afirmou, segundo a fonte.
A manifestação afro-brasileira conhecida como Roda de Capoeira recebeu, em 2014, pela Unesco, o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Hoje, a capoeira está presente em todo o território nacional e é praticada em mais de 160 países. O intercâmbio com o Japão reforça esse caráter global.
A Casa da Capoeira Pelourinho é um Pontão de Cultura, certificado pelo Ministério da Cultura (MinC), referência na salvaguarda, promoção e difusão da capoeira. A instituição reúne mais de 30 grupos afiliados e desenvolve ações culturais, sociais e educativas que fortalecem a capoeira no Brasil e no exterior.
Recentemente, a Casa realizou o Projeto Paranauê, formando mais de 300 agentes culturais e contribuindo para a qualificação de fazedores de cultura em diversas comunidades. A entidade também recebe regularmente capoeiristas, pesquisadores e visitantes de vários países, consolidando o Pelourinho como um dos polos mundiais da manifestação.
A capoeira expressa a história da resistência negra no Brasil, durante e após a escravidão, e seu reconhecimento como patrimônio reforça o valor dessa herança cultural afro-brasileira. Para os organizadores do intercâmbio, eventos como este são essenciais para que esse legado continue vivo e conectado ao mundo.







