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Cultura

Fernanda Torres volta à Bahia e declara: "A relação do baiano com a vida é diferente do resto do País"

Atriz retorna a Salvador com o monólogo "A Casa dos Budas Ditosos" após anos dedicados ao cinema e diz que a escrita de João Ubaldo traduz algo único na cultura baiana

Redação ChicoSabeTudo
01 de agosto, 2026 · 00:20 3 min de leitura
Fernanda Torres sentada à mesa em cena do monólogo A Casa dos Budas Ditosos
Fernanda Torres sentada à mesa em cena do monólogo A Casa dos Budas Ditosos

Fernanda Torres está de volta à Bahia. A atriz desembarca em Salvador com o monólogo A Casa dos Budas Ditosos, no Teatro Castro Alves, e aproveita o reencontro com o estado para fazer uma declaração que vai além do espetáculo. Para ela, a Bahia carrega algo que o resto do Brasil ainda não aprendeu a valorizar.

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"A Bahia tem muito a ensinar ao mundo. A relação do baiano com a sexualidade, a música e a crença é muito diferente do resto do País, e o Ubaldo traduz isso um pouco nos Budas", avaliou Fernanda. A fala resume bem o que move a atriz neste retorno: não é só a peça — é o reencontro com uma fonte de pensamento que ela chama de inesgotável.

Baseada no romance homônimo do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, a peça traz Fernanda Torres em um monólogo no qual interpreta uma mulher baiana de 68 anos que relembra episódios marcantes da própria vida, abordando relacionamentos, sexualidade e experiências amorosas com humor, irreverência e sem tabus. A personagem não tem nome e defende, sem culpa nem provocação, que a luxúria pode ser um dom — e não um pecado.

A versão para o teatro estreou em 2003, com adaptação e direção de Domingos de Oliveira. Dirigida por Domingos Oliveira, a montagem se tornou um dos maiores sucessos do teatro brasileiro contemporâneo. No ano seguinte à estreia, a atuação de Fernanda rendeu à atriz o Prêmio Shell de Teatro na categoria de Melhor Atriz.

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O retorno a Salvador desperta memórias afetivas. Na última passagem da peça pela cidade, Fernanda passou um fim de semana inteiro ao lado de João Ubaldo, na casa de Paula Lavigne e Caetano Veloso, no Morro Vermelho. Agora, a atriz está mais próxima da idade da personagem. João Ubaldo e Domingos de Oliveira já morreram, mas continuam presentes no modo como ela conduz o texto e compreende a montagem.

A chegada a Salvador também ocorre num momento especial para a carreira de Fernanda. A montagem chega à capital baiana depois de Fernanda passar os últimos anos envolvida com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. Voltar ao palco significa retomar um personagem que atravessou diferentes fases de sua vida.

O interesse do público baiano pelo espetáculo revelou a força desse reencontro. O enorme interesse do público baiano levou a produção a anunciar duas novas apresentações no Teatro Castro Alves, após os ingressos para as sessões inicialmente previstas se esgotarem em menos de uma hora. Segundo a organização, o sistema de vendas registrou cerca de 10 mil pessoas acessando o site simultaneamente, o que provocou instabilidade durante a compra dos ingressos.

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Para Fernanda, mais de duas décadas após a estreia, a personagem continua atual — e necessária. Num cenário marcado por disputas sobre o corpo e a autonomia das mulheres, a baiana sem nome aparece não como provocação, mas como convite. Ela simplesmente reivindica o direito de contar a própria história sem arrependimento — com a cadência, as pausas e a musicalidade que, segundo a atriz, só fazem sentido mesmo com o sotaque baiano.

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