Uma muda de Baobá — a árvore sagrada de origem africana — vai ser plantada pela primeira vez em Marechal Deodoro, município alagoano conhecido por ser a terra natal do proclamador da República e primeiro presidente do Brasil. O ato, segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto, está programado para o dia 25 de maio, na Escola Estadual Rosa Maria Paulino da Fonseca, e integra os chamados Diálogos Afro-Pedagógicos.
A iniciativa é do Projeto Baobá, criado em 2021 pelo Instituto Raízes de Áfricas em parceria com a então deputada estadual Jó Pereira. O objetivo do projeto é africanizar, a partir do plantio da árvore mãe, territórios com raízes na sacralidade e ancestralidade do povo negro.
Não é a primeira vez que o projeto marca presença em Alagoas. Ao longo de 2022, foram plantadas 11 mudas de Baobá em quilombos alagoanos. Desde então, a iniciativa expandiu para escolas, praças e espaços institucionais da capital Maceió e de outros municípios do estado.
Para quem ainda não conhece, o Baobá carrega peso simbólico profundo. Conta a história que o povo africano escravizado era obrigado, antes de embarcar nos navios negreiros, a dar voltas em torno de um Baobá — chamado "Árvore do Esquecimento" — como forma de forçar o apagamento de suas culturas. Na tradição africana, a árvore simboliza a conexão entre o mundo sobrenatural e o material, entre os vivos e os mortos. Plantar uma muda, portanto, é um gesto de reversão dessa memória.
O plantio em Marechal Deodoro acontece dentro de uma programação mais ampla: os Diálogos Afro-Pedagógicos, que levam às escolas de ensino médio uma proposta de letramento racial. O tema central desta edição é a trajetória de Almerinda Farias Gama. Feminista, sufragista, advogada, nordestina e líder sindicalista, Almerinda Farias Gama foi uma mulher negra pioneira na luta pelo voto feminino no Brasil, nascida em Maceió em 16 de maio de 1899.
Sindicalista, jornalista e feminista, a alagoana Almerinda Farias Gama foi ofuscada pelas colegas brancas e de classe alta que se tornaram os rostos públicos do sufrágio feminino. Ela representava o Sindicato das Datilógrafas e Taquígrafas do Distrito Federal, tornando-se a única mulher a votar como delegada na eleição dos representantes classistas para a Assembleia Nacional Constituinte, realizada em 20 de julho de 1933. Apesar disso, sua história permaneceu marginalizada por décadas.
Trazer esse debate para os bancos escolares de Marechal Deodoro, cidade historicamente associada à memória do poder republicano branco, é justamente o que o Instituto Raízes de Áfricas define como ato político de resistência negra. O Projeto Baobá, desde 2021, tem criado memórias e enraizado histórias, espalhando sementes de descobertas, cultura e saberes ancestrais.
A ação conta com apoio da Secretaria de Estado da Mulher, da Secretaria Municipal de Comunicação de Maceió, do deputado Paulão e de Jó Pereira, segundo informações divulgadas pelo portal Cada Minuto. Com o novo plantio, Marechal Deodoro passa a integrar o mapa dos territórios negros que o projeto vem construindo em Alagoas — da serra da Barriga ao litoral, dos quilombos às salas de aula.







