No meio dos corredores do Hospital Unimed Gruta, em Maceió (AL), o som da sanfona tomou o lugar do silêncio e das máquinas. A equipe de psicologia do hospital organizou uma ação especial de humanização no período junino, levando música ao vivo a pacientes internados, acompanhantes e profissionais de saúde. A iniciativa foi recebida com sorrisos, cantorias e lágrimas de emoção.
O sanfoneiro Anderson Fidellis percorreu diferentes alas do hospital interpretando clássicos do forró nordestino. Segundo informações divulgadas pelo hospital, a ação contemplou pacientes da Unidade de Transição de Cuidados (UTC), das unidades de internação e de terapia intensiva, além das pessoas em atendimento na Urgência do Espaço Integrado Gruta. Até quem estava na UTI teve direito ao forró.
O impacto foi imediato e visível. O aposentado Antônio Bernardo, de 74 anos, fã das tradições juninas, pediu que o músico voltasse ao seu quarto para tocar mais. Seu filho, Antônio Carlos, relatou que a expressão do pai mudou visivelmente ao ouvir a sanfona pelos corredores. "O emocional faz toda a diferença nesse processo", afirmou, segundo a assessoria do hospital.
Outro relato tocante veio de Mônica Mendonça, filha da paciente Geny Carvalho. Ela disse que a mãe, apaixonada por São João, ficou ainda mais animada com a apresentação — e que a alegria pode contribuir diretamente para a recuperação. "Ela gosta de dançar, de se movimentar. É uma iniciativa muito importante", disse.
A proposta tem respaldo científico. A música contribui fortemente para a humanização, o bem-estar e a redução do tempo de internação, com resultados comprovados em estudos científicos. A musicoterapia é considerada Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) pelo SUS e, em 2024, foi regulamentada oficialmente no Brasil. A música tem o poder de intensificar emoções e ressignificar espaço e tempo — algo que faz toda a diferença dentro de um hospital.
A psicóloga Sáskia Amorim, responsável pela ação, explicou que o objetivo foi levar para dentro do ambiente hospitalar elementos da história e da cultura dos pacientes. Ao trazer o forró — tradição tão enraizada no Nordeste — para os corredores, a equipe buscou proporcionar conforto emocional, despertar memórias afetivas e tornar a experiência da internação mais leve, segundo informações divulgadas pelo hospital.
A diretora de serviços próprios, Dra. Carla Martins, reforçou o conceito por trás da iniciativa: a humanização, segundo ela, busca criar experiências que promovam conforto emocional, resgatem memórias afetivas e fortaleçam vínculos durante a jornada de cuidado. Especialistas apontam que a música possui uma função simbólica da arte que ajuda a encontrar sentido nos momentos de sofrimento — especialmente no ambiente hospitalar — e proporciona o resgate da autoestima e da autonomia.
A prática de levar música ao vivo a hospitais não é novidade no Nordeste. Na região do Vale do São Francisco, o sanfoneiro Wanderley do Nordeste, de Juazeiro (BA), realizava o São João da APAMI e levava forró ao Hospital Dom Tomás. Ex-paciente oncológico, ele voltou aos palcos após tratamento e se dedicou a levar esperança ao som do forró. A história mostra como a cultura junina e a música regional seguem sendo pontes entre a dor e a alegria no Nordeste brasileiro.







