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Cultura

Forró nos corredores: sanfona transforma hospital em Maceió e emociona quem estava internado

Ação de humanização promovida pela equipe de psicologia do Hospital Unimed Gruta levou clássicos do forró a pacientes, inclusive aos de UTI, durante o período junino.

Redação ChicoSabeTudo
24 de junho, 2026 · 13:22 3 min de leitura
Sanfoneiro toca forró em corredor de hospital durante período junino
Sanfoneiro toca forró em corredor de hospital durante período junino

No meio dos corredores do Hospital Unimed Gruta, em Maceió (AL), o som da sanfona tomou o lugar do silêncio e das máquinas. A equipe de psicologia do hospital organizou uma ação especial de humanização no período junino, levando música ao vivo a pacientes internados, acompanhantes e profissionais de saúde. A iniciativa foi recebida com sorrisos, cantorias e lágrimas de emoção.

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O sanfoneiro Anderson Fidellis percorreu diferentes alas do hospital interpretando clássicos do forró nordestino. Segundo informações divulgadas pelo hospital, a ação contemplou pacientes da Unidade de Transição de Cuidados (UTC), das unidades de internação e de terapia intensiva, além das pessoas em atendimento na Urgência do Espaço Integrado Gruta. Até quem estava na UTI teve direito ao forró.

O impacto foi imediato e visível. O aposentado Antônio Bernardo, de 74 anos, fã das tradições juninas, pediu que o músico voltasse ao seu quarto para tocar mais. Seu filho, Antônio Carlos, relatou que a expressão do pai mudou visivelmente ao ouvir a sanfona pelos corredores. "O emocional faz toda a diferença nesse processo", afirmou, segundo a assessoria do hospital.

Outro relato tocante veio de Mônica Mendonça, filha da paciente Geny Carvalho. Ela disse que a mãe, apaixonada por São João, ficou ainda mais animada com a apresentação — e que a alegria pode contribuir diretamente para a recuperação. "Ela gosta de dançar, de se movimentar. É uma iniciativa muito importante", disse.

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A proposta tem respaldo científico. A música contribui fortemente para a humanização, o bem-estar e a redução do tempo de internação, com resultados comprovados em estudos científicos. A musicoterapia é considerada Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) pelo SUS e, em 2024, foi regulamentada oficialmente no Brasil. A música tem o poder de intensificar emoções e ressignificar espaço e tempo — algo que faz toda a diferença dentro de um hospital.

A psicóloga Sáskia Amorim, responsável pela ação, explicou que o objetivo foi levar para dentro do ambiente hospitalar elementos da história e da cultura dos pacientes. Ao trazer o forró — tradição tão enraizada no Nordeste — para os corredores, a equipe buscou proporcionar conforto emocional, despertar memórias afetivas e tornar a experiência da internação mais leve, segundo informações divulgadas pelo hospital.

A diretora de serviços próprios, Dra. Carla Martins, reforçou o conceito por trás da iniciativa: a humanização, segundo ela, busca criar experiências que promovam conforto emocional, resgatem memórias afetivas e fortaleçam vínculos durante a jornada de cuidado. Especialistas apontam que a música possui uma função simbólica da arte que ajuda a encontrar sentido nos momentos de sofrimento — especialmente no ambiente hospitalar — e proporciona o resgate da autoestima e da autonomia.

A prática de levar música ao vivo a hospitais não é novidade no Nordeste. Na região do Vale do São Francisco, o sanfoneiro Wanderley do Nordeste, de Juazeiro (BA), realizava o São João da APAMI e levava forró ao Hospital Dom Tomás. Ex-paciente oncológico, ele voltou aos palcos após tratamento e se dedicou a levar esperança ao som do forró. A história mostra como a cultura junina e a música regional seguem sendo pontes entre a dor e a alegria no Nordeste brasileiro.

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