Quem vê Guga Meyra dominando os trios elétricos do Carnaval de Salvador e as playlists do São João pode não imaginar que aquela história começou quando ele tinha apenas 13 anos — e que, por trás dos hits, há mais de uma década de estrada. Aos 26, o cantor e compositor baiano chega a um novo momento da carreira com a bagagem de quem não chegou do nada.
Guga cresceu imerso no universo musical. Neto e sobrinho de músicos, teve contato com instrumentos desde a infância e aprendeu de forma autodidata a tocar violão, cavaquinho, guitarra e percussão. Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, o pai do artista é preparador físico de estrelas da música baiana — o que colocou o menino ainda cedo em contato com a rotina dos grandes nomes do axé.
Ainda adolescente, decidiu seguir carreira artística profissionalmente, com o apoio fundamental da família. Aos 13 anos, começou a cantar em eventos, viajar pelo interior da Bahia e construir seu nome na cena musical local e nacional. Ao longo dos anos, Guga acumulou experiências valiosas, incluindo apresentações internacionais e a consolidação como compositor respeitado.
Mas a virada veio com a pandemia — período que, para muitos artistas, significou paralisação, e para ele representou mergulho na composição. Seu talento vai além dos vocais: além de cantor, ele é músico e compositor, tendo suas canções gravadas por gigantes da música nacional como Anitta, Léo Santana, Alok, Ludmilla, Menos é Mais, Xand Avião, Banda Eva e Psirico.
Uma das parcerias mais antigas com Léo Santana mostra bem esse caminho. Em 2019, a composição "Casalzão da Porra" foi escolhida por Léo Santana para o DVD do artista, gravado no Credicard Hall, em São Paulo. Depois vieram outras colaborações — e a relação entre os dois se consolidou ao longo dos anos.
Nem só de hits para o Carnaval vivem Guga Meyra e Léo Santana. Os artistas lançaram uma nova versão da canção "Se Eu Morasse Aqui Pertinho", com uma mistura de forró com o pagodão baiano. A música, que viralizou nas redes sociais e nas academias da capital baiana, faz uma releitura de um dos clássicos do forró, trazendo a essência da obra original com uma pegada mais moderna.
No Carnaval, o nome de Guga ganhou ainda mais projeção. O grande impulso veio com "Tapa Tapa", música gravada em parceria com Lincoln Sena, vocalista do Parangolé. A canção nasceu de forma despretensiosa, mas ganhou força rapidamente, entrou no repertório dos shows e passou a figurar entre as principais apostas da folia. Para ele, "Tapa Tapa nasceu durante um camping de composição em Salvador, com músicos do Brasil inteiro. Ela traz a cara da Bahia, mas com elementos do hip-hop, do trap e do funk." "Gravar com o Parangolé é uma grande responsabilidade e também uma realização."
Guga passou por mudanças na gestão de sua carreira e precisou assumir simultaneamente responsabilidades artísticas e estratégicas complexas. Apesar de ser apresentado como "revelação", ele carrega uma trajetória extensa e marcada por anos de estrada, tentativas, recomeços e construção artística longe dos holofotes. A nova fase, com hits que circulam do Carnaval ao São João, é o resultado visível de um trabalho que começou muito antes dos palcos iluminados.







