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Cultura

DJs internacionais no trio elétrico: projeto recebe luz verde da Lei Rouanet para o Carnaval de Salvador 2027

Empresa baiana obteve aprovação do Ministério da Cultura para captar quase R$ 1,5 milhão e realizar o "Technotrio" na quinta-feira de Carnaval, no Circuito Dodô.

Redação ChicoSabeTudo
18 de julho, 2026 · 00:08 3 min de leitura
Trio elétrico no Circuito Dodô durante o Carnaval de Salvador
Trio elétrico no Circuito Dodô durante o Carnaval de Salvador

Um projeto que quer devolver a música eletrônica ao trio elétrico do Carnaval de Salvador ganhou um passo importante: o Ministério da Cultura (MinC) aprovou a proposta para que a empresa captadora busque patrocinadores usando os incentivos fiscais da Lei Rouanet. O projeto se chama "Technotrio – Carnaval de Salvador 2027" e prevê a apresentação de DJs de renome internacional na quinta-feira de Carnaval, no Circuito Dodô (Barra-Ondina).

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O valor autorizado para captação é de R$ 1.499.987,50, segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias. A empresa responsável pela proposta tem até o dia 31 de dezembro de 2026 para arrecadar esse montante junto ao mercado privado. É importante entender que a portaria do MinC não significa repasse direto de dinheiro público — ela apenas autoriza legalmente a captação via renúncia fiscal.

A proposta foi apresentada pela Putzgrillo Eventos, sediada em Cachoeira (BA). Segundo a empresa, a ideia é colocar o DJ como protagonista absoluto do espetáculo, com todo o suporte técnico — som, iluminação, vídeo e efeitos cênicos — pensado para potencializar a performance solo sobre o trio elétrico.

A Putzgrillo Produtora existe há 17 anos e atua no agenciamento artístico e na produção de shows e festivais. No portfólio da empresa estão nomes como Edson Gomes, Tribo de Jah, Steel Pulse e Israel Vibration, segundo a fonte original.

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Para quem viveu o Carnaval de Salvador entre 2008 e 2014, a proposta tem gosto de volta ao passado. Naquele período, o Circuito Dodô abrigou DJs de peso mundial como Tiësto, Fatboy Slim, Bob Sinclar, David Guetta e Will.I.Am. Nos anos 2000, Daniela Mercury foi pioneira ao convidar um DJ para subir ao trio pela primeira vez, com Mau Mau estreando em Salvador. A mistura do axé com música eletrônica deu tão certo que outros nomes vieram na sequência, com presença internacional já em 2006 com o britânico Fatboy Slim.

Com o tempo, o público que impulsionou o gênero na avenida passou a se afastar dele — algo comum nos ciclos da indústria musical. Os DJs foram perdendo espaço no circuito e ficaram restritos aos camarotes. O Technotrio surge justamente como uma tentativa de reverter esse cenário e levar as pick-ups de volta à avenida.

O momento parece favorável. O relatório do Mapa dos Festivais no Brasil de 2025 apontou a música eletrônica como o terceiro gênero que mais realizou festivais no país, atrás apenas de multigênero e rock, o que indica que muitos produtores estão apostando no gênero por ter um público amplo no Brasil. O Brasil figura como o 9º maior mercado fonográfico do mundo, com um setor de música eletrônica consolidado, diverso e em crescimento, combinando grande público, festivais internacionais e artistas com alcance global.

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Festivais como Time Warp, Abstract, XXXPerience e Warung Day registraram entre 10% e 25% de aumento no número de ingressos vendidos em relação às últimas edições. Nomes como Vintage Culture, ANNA, Alok, Mochakk e Clementaum já figuram como principais atrações em festivais internacionais como Coachella, Primavera Sound e Sonar.

Se o Technotrio conseguir reunir os patrocinadores necessários até o fim do ano, a quinta-feira de Carnaval de 2027 em Salvador pode ter um sabor diferente — com beats eletrônicos ecoando novamente do trio pelo asfalto do Circuito Dodô.

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