Uma produtora que nasceu sem estrutura, dentro de uma sala de aula, e chegou ao circuito audiovisual de Chicago, Melbourne e Seattle. A Floriô de Cinema, sediada em Sergipe, completa dez anos em 2026 com um portfólio que poucos coletivos universitários brasileiros conseguiram construir — e com o seu primeiro longa-metragem em produção.
Fundada em 2016 por estudantes do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Floriô surgiu em um cenário de pouca estrutura para a produção cinematográfica no estado. A escassez de recursos, porém, não impediu que a produtora colocasse seus filmes em circulação nacional e internacional. Ao longo dos anos, transformou-se em uma produtora reconhecida por obras que passaram por festivais como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Festival de Gramado, Chicago Latino Film Festival, Seattle Black Film Festival, Melbourne Queer Film Festival, Festival Guarnicê e Curta-SE.
Entre os destaques do catálogo está ANARRIÊ, que segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da produtora percorreu mais de 40 festivais e conquistou prêmios de direção, fotografia e melhor filme. Ímã de Geladeira passou pela Mostra de Tiradentes e foi premiado no Festival de Gramado. Já Abjetas 288 venceu a Mostra Foco da Mostra de Tiradentes.
O marco dos dez anos chega acompanhado de um salto inédito na trajetória da empresa. Estão abertas as inscrições para a chamada de elenco do longa-metragem Abya Yala – Raízes do Futuro (título provisório), nova produção da Floriô de Cinema, em Sergipe. A seleção busca mulheres negras (pretas ou pardas) e indígenas, cis ou trans, nas faixas etárias de 25 a 35 anos e de 55 a 70 anos, com disponibilidade para participar de ensaios e filmagens entre janeiro e novembro de 2027.
O filme acompanha Dandara, uma mulher que vive no ano 3000 e viaja para o passado em busca da árvore de Abya Yala, único ser capaz de regenerar a flora de um futuro devastado pela crise ambiental. Ao chegar em 2030, ela descobre que sua comunidade enfrenta os impactos da expansão de uma empresa de data centers. A produção é financiada por meio do edital nº 06/2023 — Tarcísio Duarte, executado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (FUNCAP/SE), com recursos da Lei Paulo Gustavo e incentivo do Governo de Sergipe, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Segundo a diretora Carolen Meneses, a obra propõe uma reflexão sobre memória, ancestralidade e preservação ambiental a partir de perspectivas africanas, indígenas e quilombolas. Para chegar ao roteiro, o texto foi desenvolvido em parceria com Beatriz Leal. O projeto também passou pelo EGBÉ LAB, laboratório sergipano de desenvolvimento audiovisual, que reúne consultorias com profissionais ligadas à Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba (EICTV), uma das principais escolas de cinema do Sul Global.
Além do longa principal, a Floriô segue com outros projetos em andamento. A produtora desenvolve outros três longas, duas séries e novos curtas com lançamento previsto para 2027. Entre eles está Corpus-Água, dirigido por Sidjonathas Araújo e premiado em 2026 no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, além da série Onilé, também de Araújo, selecionada para o Campus Málaga Talent, na Espanha, e vencedora de premiação no Mercado EGBÉ.
A atuação da produtora vai além das telas. Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa, a Floriô mantém o Pólen das Artes — iniciativa de cursos, oficinas e masterclasses que já alcançou mais de 150 participantes — e o CRIAS (Cine de Rua Infantil de Sergipe), projeto itinerante de exibição gratuita de cinema brasileiro que caminha para sua quarta edição. O modelo adotado evidencia o papel das políticas públicas culturais na ampliação da circulação de narrativas produzidas fora do eixo Sul-Sudeste. Para a Floriô, fazer cinema em Sergipe não é limitação — é escolha e identidade.







