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Cultura

Dez anos de resistência: produtora sergipana Floriô de Cinema chega ao seu primeiro longa-metragem

Nascida dentro de uma universidade federal, a Floriô percorreu festivais em quatro continentes e agora aposta em "Abya Yala – Raízes do Futuro" para marcar a virada para um novo ciclo.

Redação ChicoSabeTudo
21 de julho, 2026 · 20:21 3 min de leitura
Equipe da produtora Floriô de Cinema em Sergipe, celebrando dez anos de atuação no audiovisual nordestino
Equipe da produtora Floriô de Cinema em Sergipe, celebrando dez anos de atuação no audiovisual nordestino

Uma produtora que nasceu sem estrutura, dentro de uma sala de aula, e chegou ao circuito audiovisual de Chicago, Melbourne e Seattle. A Floriô de Cinema, sediada em Sergipe, completa dez anos em 2026 com um portfólio que poucos coletivos universitários brasileiros conseguiram construir — e com o seu primeiro longa-metragem em produção.

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Fundada em 2016 por estudantes do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Floriô surgiu em um cenário de pouca estrutura para a produção cinematográfica no estado. A escassez de recursos, porém, não impediu que a produtora colocasse seus filmes em circulação nacional e internacional. Ao longo dos anos, transformou-se em uma produtora reconhecida por obras que passaram por festivais como a Mostra de Cinema de Tiradentes, Festival de Gramado, Chicago Latino Film Festival, Seattle Black Film Festival, Melbourne Queer Film Festival, Festival Guarnicê e Curta-SE.

Entre os destaques do catálogo está ANARRIÊ, que segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da produtora percorreu mais de 40 festivais e conquistou prêmios de direção, fotografia e melhor filme. Ímã de Geladeira passou pela Mostra de Tiradentes e foi premiado no Festival de Gramado. Já Abjetas 288 venceu a Mostra Foco da Mostra de Tiradentes.

O marco dos dez anos chega acompanhado de um salto inédito na trajetória da empresa. Estão abertas as inscrições para a chamada de elenco do longa-metragem Abya Yala – Raízes do Futuro (título provisório), nova produção da Floriô de Cinema, em Sergipe. A seleção busca mulheres negras (pretas ou pardas) e indígenas, cis ou trans, nas faixas etárias de 25 a 35 anos e de 55 a 70 anos, com disponibilidade para participar de ensaios e filmagens entre janeiro e novembro de 2027.

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O filme acompanha Dandara, uma mulher que vive no ano 3000 e viaja para o passado em busca da árvore de Abya Yala, único ser capaz de regenerar a flora de um futuro devastado pela crise ambiental. Ao chegar em 2030, ela descobre que sua comunidade enfrenta os impactos da expansão de uma empresa de data centers. A produção é financiada por meio do edital nº 06/2023 — Tarcísio Duarte, executado pela Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (FUNCAP/SE), com recursos da Lei Paulo Gustavo e incentivo do Governo de Sergipe, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Segundo a diretora Carolen Meneses, a obra propõe uma reflexão sobre memória, ancestralidade e preservação ambiental a partir de perspectivas africanas, indígenas e quilombolas. Para chegar ao roteiro, o texto foi desenvolvido em parceria com Beatriz Leal. O projeto também passou pelo EGBÉ LAB, laboratório sergipano de desenvolvimento audiovisual, que reúne consultorias com profissionais ligadas à Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba (EICTV), uma das principais escolas de cinema do Sul Global.

Além do longa principal, a Floriô segue com outros projetos em andamento. A produtora desenvolve outros três longas, duas séries e novos curtas com lançamento previsto para 2027. Entre eles está Corpus-Água, dirigido por Sidjonathas Araújo e premiado em 2026 no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, além da série Onilé, também de Araújo, selecionada para o Campus Málaga Talent, na Espanha, e vencedora de premiação no Mercado EGBÉ.

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A atuação da produtora vai além das telas. Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa, a Floriô mantém o Pólen das Artes — iniciativa de cursos, oficinas e masterclasses que já alcançou mais de 150 participantes — e o CRIAS (Cine de Rua Infantil de Sergipe), projeto itinerante de exibição gratuita de cinema brasileiro que caminha para sua quarta edição. O modelo adotado evidencia o papel das políticas públicas culturais na ampliação da circulação de narrativas produzidas fora do eixo Sul-Sudeste. Para a Floriô, fazer cinema em Sergipe não é limitação — é escolha e identidade.

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