Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Uplink quântico da Terra para satélite é viável, diz estudo da UTS

Simulações da UTS mostram que o uplink quântico — enviar fótons da Terra a satélites — é viável e pode reduzir o hardware necessário em órbita.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
06 de novembro, 2025 · 04:50 2 min de leitura
Cientistas mostram que comunicação quântica é viável (Imagem:NicoElNino/Shutterstock)
Cientistas mostram que comunicação quântica é viável (Imagem:NicoElNino/Shutterstock)

Um estudo da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS), publicado em 2025 na revista Physical Review Research, mostrou que é viável enviar sinais quânticos da Terra para um satélite — o chamado uplink.

O que eles fizeram

Publicidade

Até agora, projetos como o satélite chinês Micius (lançado em 2016) e experimentos com o microssatélite Jinan‑1 (2025) privilegiavam o envio de sinais do espaço para o solo (downlink). A equipe da UTS, liderada por Simon Devitt e Alexander Solntsev, fez o oposto em simulações: modelaram o disparo de fótons da superfície terrestre para um receptor em órbita.

Nos cenários simulados, dois transmissores em terra enviavam partículas individuais de luz para um satélite a cerca de 500 quilômetros. Os fótons foram avaliados viajando a aproximadamente 20 mil quilômetros por hora, de forma que chegassem com precisão suficiente para gerar interferência quântica. As simulações levaram em conta ruído de luz ambiente, reflexos lunares, efeitos atmosféricos e desalinhamento óptico.

“A ideia do uplink não era levada a sério — por isso precisou ser testada com cuidado”, disse Alexander Solntsev.

Publicidade

O professor Simon Devitt resumiu o desafio assim: “disparar dois fótons de estações separadas para que se encontrem em órbita e causem interferência quântica”.

Principais resultados

As simulações surpreenderam os autores ao indicar que o uplink é viável mesmo quando os modelos refletem efeitos do mundo real. Uma vantagem prática é que a abordagem reduz muito a complexidade a bordo do satélite: em vez de carregar hardware volumoso para gerar muitos fótons, bastaria uma unidade óptica compacta capaz de interferir os fótons recebidos e reportar o resultado — diminuindo custo e tamanho do satélite.

Próximos passos

Para passar do modelo à demonstração prática, os autores propuseram uma rota escalonada. A ideia é começar com testes em plataformas aéreas e receptores elevados antes de avançar para pequenos satélites em órbita baixa. Entre as opções citadas estão:

  • ensaios com drones;
  • receptores acoplados a balões;
  • parcerias para satélites compactos com uma única unidade óptica para interferir e reportar resultados.

Oportunidades para o Brasil

Os pesquisadores destacam que essa rota abre espaço para pesquisa, formação e inovação. Universidades, centros de pesquisa e empresas brasileiras poderiam participar de testes, capacitação em fotônica e no desenho de protocolos para redes quânticas. A Bahia foi citada como uma região com potencial para iniciativas de capacitação, parcerias acadêmicas e estímulo a startups voltadas a componentes ópticos e telecomunicações quânticas.

Em resumo: as simulações indicam que o uplink é uma alternativa prática e escalável — e os próximos anos devem trazer demonstrações em plataformas aéreas e, depois, em órbita.

Leia também