A Comissão Europeia deu um passo importante nesta terça-feira, anunciando a abertura de dois processos formais para guiar o Google sobre como ele deve dar mais acesso aos seus concorrentes. A ideia é que outras empresas possam usar os serviços de busca e as ferramentas de inteligência artificial (IA) do gigante da tecnologia. Essa ação faz parte da aplicação da rigorosa Lei dos Mercados Digitais (DMA), que busca equilibrar o poder das grandes companhias de tecnologia e criar um ambiente digital mais justo na Europa.
Essa decisão afeta diretamente a Alphabet, a empresa-mãe do Google. Agora, ela receberá orientações claras sobre como permitir que rivais no mercado de buscas online e desenvolvedores de IA utilizem recursos ligados tanto ao sistema Android quanto aos seus próprios dados e modelos de inteligência artificial, como o famoso Gemini.
Google terá que compartilhar sua inteligência artificial
Um dos processos foca especificamente em como o Google deve garantir que empresas externas de serviços de IA tenham um acesso tão eficaz quanto o que suas próprias soluções de inteligência artificial já possuem. A comissária europeia de tecnologia, Henna Virkkunen, deixou claro que o objetivo é que os mecanismos de busca e as plataformas de IA de terceiros tenham o mesmo nível de acesso aos dados de busca e ao sistema Android que o Google usa para seus próprios produtos.
Isso significa que funcionalidades presentes na Busca do Google e no Gemini precisarão ser acessíveis a outras empresas. A intenção é promover uma competição saudável e incentivar a inovação em todo o mercado digital.
Dados de busca serão compartilhados com a concorrência
No segundo procedimento, a Comissão Europeia vai definir exatamente como o Google precisará liberar dados importantes e anonimizados da Busca do Google. Isso inclui informações sobre o ranking de resultados, as consultas dos usuários, os cliques e as visualizações. Esses dados serão disponibilizados sob condições justas e sem discriminação para que outras empresas, como concorrentes em motores de busca e criadores de chatbots de IA, possam utilizá-los, desde que sigam as regras estabelecidas.
“A intenção é manter o ambiente digital aberto e competitivo, evitando que os maiores players tenham vantagens desproporcionais”, disse Teresa Ribera, comissária de concorrência da União Europeia. “A ideia é maximizar os benefícios da atual transformação tecnológica sem comprometer a igualdade de condições no mercado.”
O que o Google pensa e os próximos passos
O Google já se manifestou sobre a iniciativa e demonstrou preocupação. Em um comunicado, Clare Kelly, conselheira sênior de concorrência da empresa, afirmou que o Android já é naturalmente um sistema aberto e que a companhia já licencia dados de busca para concorrentes, conforme previsto na DMA. No entanto, ela alertou que novas regras, motivadas por reclamações de rivais, podem acabar afetando a privacidade e a segurança dos usuários, além de frear a inovação.
A Comissão Europeia espera finalizar os dois processos em até seis meses. Essa medida segue uma linha de ação semelhante à que foi adotada anteriormente com a Apple, que também precisou abrir partes de seu ecossistema para concorrentes. Tudo isso faz parte da estratégia maior da União Europeia para regular o setor de tecnologia e garantir um mercado mais justo para todos.







