Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Turbinas de Avião Ganham Nova Vida para Alimentar Data Centers

Motores de aviões supersônicos da Boom Supersonic serão usados para gerar energia em data centers da Crusoe, financiando o futuro da aviação comercial.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
10 de dezembro, 2025 · 09:27 3 min de leitura
Imagem: Divulgação/Boom Supersonic
Imagem: Divulgação/Boom Supersonic

Imagine que o mesmo motor potente que impulsiona um avião pelo céu agora vai trabalhar duro no chão, alimentando a infraestrutura digital que usamos todos os dias. Pois é exatamente isso que a Boom Supersonic está fazendo, em uma jogada inteligente que promete revolucionar tanto a aviação quanto o setor de energia.

Publicidade

A empresa, famosa por seus planos de aviões supersônicos, anunciou que suas turbinas, inicialmente pensadas para voar, terão uma nova função: se transformar em usinas de energia estacionárias. O primeiro grande cliente dessa iniciativa é a startup Crusoe, especializada em data centers.

A Crusoe vai comprar 29 dessas turbinas, batizadas de Superpower, que, juntas, prometem gerar incríveis 1,21 gigawatts de energia. Isso é uma quantidade enorme de eletricidade, capaz de abastecer milhares de residências ou, neste caso, o crescente consumo de um centro de dados.

Financiando o Futuro Supersônico com Energia no Chão

Mas por que uma empresa de aviação faria isso? O motivo é estratégico: essa venda de motores vai ajudar a financiar o desenvolvimento do Overture, o futuro avião supersônico da Boom. É uma maneira inteligente de gerar receita e expandir a produção, abrindo caminho para uma nova era onde a tecnologia aeroderivada – ou seja, derivada de aviões – tem um papel crucial também na geração de energia em solo.

Publicidade

As turbinas Superpower compartilham 80% das suas peças com o motor Symphony, feito para aeronaves. Blake Scholl, o CEO da Boom, compara o projeto ao Starlink da SpaceX, onde a geração de receita com uma frente (neste caso, a energia) ajuda a impulsionar inovações ainda maiores no futuro (como os voos supersônicos).

Para ter uma ideia do investimento, a Crusoe vai pagar 1,25 bilhão de dólares (o equivalente a cerca de 6,7 bilhões de reais, na cotação atual) pelas 29 turbinas de 42 megawatts cada. A Boom Supersonic vai entregar o pacote completo, incluindo os equipamentos, a manutenção preventiva e os sistemas de controle. Já a Crusoe cuidará da parte elétrica, do gás e do controle de poluição.

Detalhes das Turbinas Superpower:

  • Transporte Prático: Chegam em contêineres de transporte marítimo, o que facilita muito a logística e a instalação em diferentes locais.
  • Eficiência Competitiva: Têm uma eficiência de 39%, número similar ao de outras turbinas convencionais do mercado.
  • Flexibilidade de Atualização: Podem ser atualizadas para um sistema de ciclo combinado, aumentando ainda mais a eficiência e o rendimento energético.
  • Operação Silenciosa: Embora operem de forma silenciosa, seu som pode ser percebido a até 800 metros de distância.

"As usinas de ciclo combinado geralmente exigem grandes projetos de construção, mas queremos oferecer flexibilidade aos operadores", explicou Blake Scholl, CEO da Boom, em comunicado, destacando a agilidade da solução.

Um Salto Ambicioso para o Futuro da Energia e da Aviação

As primeiras turbinas Superpower serão fabricadas nas instalações que a Boom já tem. Contudo, uma fábrica maior já está nos planos para dar conta da demanda crescente. A meta é ambiciosa: gerar 1 gigawatt de energia até 2028 e chegar a impressionantes 4 gigawatts em 2030.

Com o aumento da produção dessas turbinas para geração de energia, a Boom espera acelerar também seus planos de colocar aviões supersônicos comerciais no ar, tornando a viagem de Nova York a Londres em poucas horas uma realidade mais próxima.

Scholl, no entanto, é realista. Ele sabe que o caminho é desafiador, especialmente para startups de hardware que precisam de muito investimento e tempo para desenvolver projetos em grande escala. O que ele chama de "vale da morte" das startups é um obstáculo real a ser superado, mas ele acredita que essa nova frente de negócios é a ponte para atravessá-lo.

Essa iniciativa da Boom Supersonic não é apenas uma forma de conseguir dinheiro para seus aviões supersônicos. Ela representa um avanço importante na forma como motores de aeronaves podem ser aplicados para gerar energia em terra. A tecnologia Superpower pode se tornar uma referência para data centers que buscam cada vez mais eficiência, segurança e flexibilidade no fornecimento de energia, em um mundo onde o consumo de dados só cresce.

Leia também