Se você pensa que só quem tem conta no TikTok precisa se preocupar com a plataforma, pode estar enganado. Uma nova análise aponta que o aplicativo pode estar monitorando seus dados de navegação na internet, mesmo que você nunca tenha baixado o app ou criado um perfil.
Essa capacidade de monitoramento está ligada a uma ferramenta chamada "pixel de rastreamento". Esse sistema, comum no mundo da publicidade digital, teve uma atualização que ampliou sua coleta de dados, gerando um novo alerta entre os especialistas em privacidade digital.
Por que o TikTok está monitorando quem não usa o app?
A discussão sobre a privacidade do TikTok ganhou força novamente depois que as operações da empresa nos Estados Unidos foram transferidas para um grupo de empresas ligadas ao ex-presidente Donald Trump. Essa mudança, que aconteceu semanas antes, reacendeu o debate sobre como os nossos dados são coletados e usados.
Os pixels de rastreamento são como pequenos espiões invisíveis em páginas da web. Empresas grandes de tecnologia usam esses pixels para seguir o que fazemos na internet. Eles coletam dados para, por exemplo, mostrar anúncios personalizados. Sabe quando você pesquisa um tênis online e depois só vê propaganda de tênis em outros sites e redes sociais? É o pixel agindo.
"O sistema seria ‘extremamente invasivo’, pois poderia interceptar dados enviados por sites para outras plataformas."
— Patrick Jackson, diretor de tecnologia da Disconnect
Mas o que preocupa os especialistas agora é que a versão mais recente do pixel do TikTok parece ser bem mais agressiva. Segundo um estudo da empresa de cibersegurança Disconnect, o sistema do TikTok pode estar coletando informações de um jeito "incomum" se comparado aos seus concorrentes. Patrick Jackson, diretor de tecnologia da Disconnect, disse que o sistema é "extremamente invasivo", conseguindo até pegar dados que um site enviaria para outras plataformas.
O relatório da Disconnect mostrou que sites ligados à saúde, por exemplo, acabaram enviando informações delicadas, como dados sobre câncer, fertilidade ou busca por apoio em saúde mental, tudo isso sem que a pessoa tivesse um perfil no TikTok. Isso acontece porque o rastreamento é feito diretamente no site que você visita, não no aplicativo.
O que o TikTok diz sobre isso?
Questionado pela BBC, o TikTok afirmou que sempre informa os usuários sobre suas políticas de privacidade. A empresa também reforçou que os sites parceiros precisam seguir as leis de proteção de dados e não devem compartilhar informações sensíveis. Além disso, o TikTok declarou que oferece opções de controle de privacidade e que esses "pixels de publicidade são padrão na indústria".
Mais anúncios e mais rastreadores
As mudanças nas operações do TikTok, que foram oficializadas em 22 de janeiro de 2026 nos EUA, vieram junto com novas práticas de coleta de dados. Antes, o pixel era mais usado para ver como os anúncios performavam dentro do próprio app. Agora, ele também acompanha o que os usuários fazem em outros sites, depois de saírem da plataforma.
Especialistas acreditam que isso deixa os anúncios do TikTok mais atraentes para as empresas, aumentando a presença da ferramenta em mais páginas da web. Dados da DuckDuckGo mostram que os rastreadores do TikTok já aparecem em cerca de 5% dos sites mais acessados do mundo. Para ter uma ideia, os rastreadores do Google estão em quase 72% desses sites, e os da Meta (dona do Facebook e Instagram) em cerca de 21%.
Como se proteger do rastreamento online?
Para quem quer diminuir a coleta de dados durante a navegação, os especialistas em privacidade dão algumas dicas:
- Use navegadores focados em privacidade: Opções como DuckDuckGo, Brave, Firefox e Safari geralmente oferecem mais controles e restrições ao rastreamento do que o Google Chrome, que é considerado mais permissivo.
- Instale extensões bloqueadoras: Extensões como Privacy Badger, Ghostery, AdBlock Plus e uBlock Origin ajudam a barrar o funcionamento desses pixels e outros sistemas de monitoramento.
É importante saber, porém, que essas medidas não resolvem o problema por completo. Empresas ainda podem compartilhar informações diretamente com plataformas de publicidade através de seus próprios servidores, de um jeito que é mais difícil para o usuário perceber.
Para uma mudança real, a maioria dos especialistas concorda que seriam necessárias leis de privacidade mais rigorosas e uma fiscalização maior no universo da publicidade digital.







