A Tesla está virando a chave na sua estratégia de direção assistida. A empresa de Elon Musk decidiu descontinuar o famoso sistema Autopilot, que por anos foi sinônimo de carros semiautônomos. A partir de agora, o foco total será no software mais avançado da companhia, o Full Self-Driving (Supervised), o FSD.
Essa mudança importante não vem do nada. Ela acontece em um momento em que a Tesla enfrenta forte pressão de órgãos reguladores, especialmente na Califórnia, nos Estados Unidos. Recentemente, uma decisão judicial naquele estado considerou que a Tesla fez propaganda enganosa por anos, exagerando as verdadeiras capacidades do Autopilot e até mesmo do próprio FSD.
O que muda nos carros novos da Tesla?
Quem for comprar um carro novo da Tesla perceberá a diferença. Antes, o Autopilot oferecia duas funções principais: o Traffic Aware Cruise Control, que mantém a distância segura do carro da frente e controla a velocidade, e o Autosteer, que centralizava o veículo na faixa e fazia curvas automaticamente.
Agora, os carros novos sairão de fábrica com apenas uma dessas funções como padrão: o Traffic Aware Cruise Control. A função de manter o carro na faixa não virá mais por padrão. A Tesla ainda não detalhou o que acontecerá com os clientes que já têm veículos com o Autopilot instalado.
Adeus à taxa única, olá assinatura mensal do FSD
Junto com a descontinuação do Autopilot, a Tesla também mudou a forma de pagar pelo Full Self-Driving. A partir de 14 de fevereiro, a taxa única de US$ 8.000 para ter o FSD acabou. Agora, o software será oferecido apenas por meio de uma assinatura mensal, que custa US$ 99.
Elon Musk já disse que o valor da mensalidade deve aumentar à medida que o sistema ficar mais desenvolvido. Ele sonha com carros que possam dirigir de forma "não supervisionada", permitindo até que o motorista use o celular ou durma na viagem. No entanto, o próprio Musk já reconheceu que mandar mensagens enquanto dirige é ilegal em quase todos os estados norte-americanos.
Adoção do FSD abaixo do esperado e polêmicas do passado
Apesar das promessas, o Full Self-Driving, que está em versão beta desde o final de 2020, não teve a adesão esperada. Em outubro de 2025, o diretor financeiro da Tesla, Vaibhav Taneja, revelou que apenas 12% dos clientes haviam comprado o software.
O aumento dessa base de assinantes é crucial não só para a Tesla, mas também para os objetivos financeiros de Elon Musk. Uma das metas ligadas ao seu pacote de remuneração bilionário prevê alcançar 10 milhões de assinaturas ativas do FSD até 2035.
A história do Autopilot, lançado no começo dos anos 2010, sempre foi marcada por controvérsias. A forma como a empresa comunicava as capacidades do sistema gerou muita discussão. Segundo a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), a promessa exagerada de autonomia e a percepção equivocada dos motoristas contribuíram para centenas de acidentes e, infelizmente, ao menos 13 mortes nos Estados Unidos.







