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Tempestade de radiação solar severa atinge a Terra

A Terra foi atingida pela tempestade de radiação solar mais forte em mais de 20 anos, classificada como S4. Entenda o fenômeno e seus impactos no espaço.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
20 de janeiro, 2026 · 23:11 3 min de leitura
Imagem meramente ilustrativa representando uma tempestade solar, acompanhada de uma tempestade de radiação, atingindo a Terra. Crédito: IgorZh - Shutterstock
Imagem meramente ilustrativa representando uma tempestade solar, acompanhada de uma tempestade de radiação, atingindo a Terra. Crédito: IgorZh - Shutterstock

A Terra recentemente sentiu o impacto de uma tempestade de radiação solar considerada a mais intensa dos últimos 20 anos, superando até mesmo as famosas “tempestades de Halloween” de 2003. Enquanto muitos olhos se voltavam para as belas auroras causadas por uma tempestade geomagnética de categoria G4 nesta segunda-feira (19), um fenômeno menos visível, mas igualmente importante, estava acontecendo, conforme dados do Centro de Previsão do Clima Espacial da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA).

O que foi essa tempestade?

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Essa tempestade de radiação solar foi classificada como S4, um nível considerado severo. Mas o que exatamente significa isso? Essas tempestades acontecem quando o Sol libera uma explosão magnética muito forte. Essa explosão joga para o espaço partículas carregadas, principalmente prótons, que alcançam velocidades altíssimas. É como se o Sol “cuspisse” uma grande quantidade de plasma, um evento chamado ejeção de massa coronal (CME).

Essas partículas viajam muito rápido, podendo cobrir a distância de 150 milhões de quilômetros entre o Sol e a Terra em apenas alguns minutos. Ao chegar perto do nosso planeta, os prótons mais energéticos conseguem furar parte da proteção magnética da Terra. Eles então seguem pelas linhas do campo magnético, indo direto para as regiões polares e mergulhando na alta atmosfera.

Riscos na Terra e no espaço

É natural se preocupar com a radiação, mas a boa notícia é que, apesar da intensidade, essa tempestade não oferece nenhum risco à vida aqui na superfície da Terra. Nossa atmosfera e o campo magnético funcionam como um escudo poderoso, impedindo que essa radiação chegue ao solo. Este não foi um daqueles eventos raros em que as partículas são tão energéticas que podem ser detectadas diretamente no chão.

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“O espectro de partículas era suave em comparação com eventos extremos”, explicou a física Tamitha Skov em suas redes sociais, tranquilizando sobre o impacto no solo.

No entanto, a situação muda para quem está mais alto, lá no espaço ou em voos de grande altitude. Astronautas e as equipes de bordo em voos que passam pelas rotas polares podem ter uma exposição maior à radiação. Além disso, os satélites também sentem os efeitos. As partículas energéticas podem causar interferência em sensores, nos equipamentos eletrônicos de bordo e nos instrumentos que coletam dados. Durante a tempestade recente, os meteorologistas espaciais até registraram falhas temporárias em algumas medições, provavelmente por causa desses prótons intensos.

Não confunda: radiação solar e geomagnética

Muita gente confunde, mas tempestades de radiação solar e tempestades geomagnéticas são coisas diferentes, embora possam acontecer ao mesmo tempo, como vimos nesta última semana.

  • Tempestades de radiação solar: São causadas por fluxos de partículas solares com muita energia, principalmente prótons, que vêm de explosões no Sol. Elas chegam rápido, em minutos, e afetam principalmente a alta atmosfera, as regiões polares e o ambiente espacial. Não produzem efeitos visuais, como auroras, e os riscos são principalmente radiológicos para quem está no espaço.
  • Tempestades geomagnéticas: Acontecem quando o campo magnético da Terra é perturbado pela interação com o vento solar, que também vem do Sol. Elas demoram mais para chegar, de horas a dias, e afetam o campo magnético da Terra e a ionosfera. Essas sim podem gerar as belas auroras em latitudes mais altas e, em casos mais fortes, em latitudes médias. Os riscos estão mais ligados à infraestrutura tecnológica e sistemas elétricos na Terra, como o GPS, rádio e redes de energia.

Entender a diferença é crucial para saber como esses fenômenos espaciais nos afetam. Embora a última tempestade de radiação tenha sido severa, nosso planeta está bem protegido, mas a vigilância do clima espacial continua sendo vital para a nossa tecnologia e a segurança das missões espaciais.

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