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Sonda Parker capta plasma solar voltando ao Sol após erupção

A sonda Solar Parker da NASA registrou imagens inéditas de plasma solar sendo ejetado do Sol e parte dele retornando à superfície, crucial para prever o clima espacial e seus impactos na Terra.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
17 de dezembro, 2025 · 22:19 3 min de leitura
Imagem obtida pela sonda Solar Parker, da NASA mostra o material solar mudando de direção. Crédito: NASA
Imagem obtida pela sonda Solar Parker, da NASA mostra o material solar mudando de direção. Crédito: NASA

A sonda Solar Parker, da NASA, alcançou um feito impressionante ao registrar as imagens mais detalhadas já vistas de uma erupção solar. Pela primeira vez, os cientistas puderam observar com clareza material sendo lançado violentamente pela estrela e, de forma surpreendente, parte dele retornando à superfície do Sol. Essa descoberta é crucial para entender como a atividade solar remodela seus campos magnéticos e influencia o clima espacial, que afeta diretamente a Terra.

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A façanha aconteceu na véspera do Natal de 2024, quando a sonda fez sua maior aproximação, passando a apenas 6,1 milhões de quilômetros da superfície solar. Esse recorde permitiu que os instrumentos da Parker capturassem processos que, até então, eram invisíveis de distâncias maiores.

Um Olhar De Perto Nas Erupções Solares

Durante esse sobrevoo histórico, a sonda registrou uma explosão solar exatamente como os cientistas esperavam. As imagens mostram uma região extremamente brilhante de plasma superaquecido, sendo expelida com força do Sol. Esse tipo de explosão é conhecido como ejeção de massa coronal (CME), que libera enormes quantidades de partículas carregadas e campos magnéticos, capazes de viajar por milhões de quilômetros no Sistema Solar.

O que mais chamou a atenção foi o comportamento desse material ejetado. As imagens revelam que a nuvem de plasma se afasta do Sol, se expande e se torna mais espalhada. No entanto, parte desse material muda de direção e começa a voltar, descrevendo um movimento curvo e espiralado em direção à superfície solar.

A Dança Dos Campos Magnéticos

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A NASA explica que esse retorno é resultado da intensa ação dos campos magnéticos do Sol. Durante a erupção, essas linhas magnéticas se esticam com a força da explosão, se rompem e rapidamente se reconectam, formando grandes estruturas em formato de laço. Algumas dessas estruturas continuam se propagando pelo espaço, levando consigo parte do material ejetado. Mas outras se retraem, arrastando porções do plasma de volta para o Sol, em um fenômeno que os cientistas chamam de influxo.

“Já havíamos observado sinais de que esse material poderia retornar dessa forma, mas ver isso com tanta nitidez é impressionante”, disse Nour Rawafi, cientista do projeto Parker Solar Probe. Para ele, essas imagens oferecem uma visão rara da dinâmica magnética do Sol.

Impactos Na Terra E No Clima Espacial

As ejeções de massa coronal são importantes porque, quando direcionadas à Terra, podem causar as chamadas tempestades geomagnéticas. Esses eventos têm potencial para afetar nossas redes elétricas, interromper comunicações por rádio, atrapalhar sistemas de navegação por satélite e até intensificar a beleza das auroras boreais e austrais.

Com essa nova descoberta, sabemos que o material solar que retorna interage com os campos magnéticos próximos à superfície e os modifica. Essas mudanças podem, no futuro, influenciar o caminho de outras ejeções de massa coronal que surgirem na mesma região. Isso significa que saber se o plasma retorna ou não pode ser a chave para prever se uma tempestade solar vai atingir um planeta como Marte ou passar sem causar grandes efeitos.

“Isso pode ser suficiente para determinar se uma ejeção atinge um planeta, como Marte, ou passa perto sem causar efeitos significativos”, explicou Angelos Vourlidas, cientista responsável pelo instrumento WISPR, que capturou as imagens.

Embora missões anteriores, como o observatório solar SOHO, já tivessem detectado sinais desse tipo de fluxo, a Sonda Parker foi a primeira a observar o fenômeno tão de perto, com detalhes e em escalas nunca antes registradas. Graças a isso, os cientistas puderam medir diretamente a velocidade e o tamanho das estruturas que voltam ao Sol. Esses dados estão sendo usados para melhorar os modelos do clima espacial, permitindo previsões mais precisas sobre os impactos da atividade solar em todo o Sistema Solar e com uma antecedência maior do que a possível atualmente.

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