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Satélites da Amazon intensificam debate sobre o caos no espaço

A expansão das constelações de satélites da Amazon e Starlink levanta sérias preocupações sobre o excesso de brilho e o congestionamento na órbita da Terra.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
27 de janeiro, 2026 · 12:40 3 min de leitura
Representação artística dos satélites Amazon Leo na órbita da Terra. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini
Representação artística dos satélites Amazon Leo na órbita da Terra. Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini

A corrida por internet mais rápida e abrangente está lotando a órbita da Terra, e isso acende um alerta sério para cientistas e especialistas. Com a expansão de grandes redes de satélites, como a Starlink da SpaceX e o mais recente projeto da Amazon, o Amazon Leo, o espaço ao redor do nosso planeta se torna cada vez mais concorrido e perigoso.

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A preocupação aumentou depois que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) nos Estados Unidos deu sinal verde para a Starlink ampliar ainda mais sua megaconstelação. Embora a ideia seja levar internet para lugares remotos, essa decisão trouxe à tona discussões sobre os riscos ambientais, operacionais e regulatórios que o excesso de tráfego orbital pode causar.

Satélites brilhantes atrapalham a astronomia

Um dos problemas mais visíveis, literalmente, é a interferência na astronomia. Os satélites da Amazon, por exemplo, passaram a ser motivo de preocupação. Cientistas notaram que eles brilham demais ao refletir a luz do Sol, deixando rastros luminosos nas imagens que os telescópios capturam. Esse mesmo fenômeno já era um incômodo com os satélites Starlink desde 2019.

Um estudo recente, que está sendo revisado por outros cientistas no repositório arXiv, analisou cerca de 2 mil observações dos satélites da Amazon e chegou a uma conclusão: eles superam o limite de brilho que a União Astronômica Internacional (IAU) recomenda. Mesmo que a gente não os veja a olho nu, esses pontos de luz aparecem nos registros dos telescópios e atrapalham demais a coleta de dados importantes para a ciência.

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O astrônomo Anthony Mallama, que liderou o estudo sobre os satélites da Amazon, já havia investigado o impacto da Starlink. Hoje, a constelação da SpaceX tem cerca de 10 mil satélites, sendo a maior fonte de interferência nas observações profissionais. Agora, com redes novas como a Amazon Leo e a BlueBird, da AST SpaceMobile, o problema só cresce.

Riscos vão além da pesquisa: segurança do planeta em jogo

O alerta não se restringe apenas à pesquisa espacial. Em 2022, a NASA demonstrou preocupação sobre o risco de tantas constelações de satélites dificultarem a detecção de asteroides que se aproximam da Terra. Isso é muito sério, pois pode atrapalhar ações de defesa que protegem nosso planeta. Ou seja, o impacto não é só científico, é também estratégico.

A altitude em que esses satélites operam também é um fator crucial. O primeiro lote da Amazon Leo está a 630 km de altura, mas os próximos devem voar ainda mais baixo, a cerca de 590 km. Quanto mais perto da Terra, mais brilhantes eles são e maior a chance de atrapalhar as observações.

Apesar de empresas como SpaceX e Amazon afirmarem que estão buscando soluções para diminuir esses impactos, muitos pesquisadores defendem que a única saída real é limitar a quantidade de satélites na órbita terrestre. O ritmo atual é visto como insustentável por muitos astrônomos.

Como disse a astrônoma Meredith Rawls em 2022, em uma entrevista ao Interesting Engineering: “todos nós compartilhamos o céu”. Essa frase reforça a ideia de que o debate precisa ir além das empresas envolvidas e incluir toda a sociedade, os cientistas e os órgãos reguladores para decidir juntos o futuro da órbita da Terra.

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