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Plataformas digitais apertam o cerco na verificação de idade para proteger jovens

Plataformas como Roblox, TikTok e ChatGPT implementam novas formas de verificar a idade dos usuários para proteger crianças e adolescentes online.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
11 de fevereiro, 2026 · 14:19 4 min de leitura
(Imagem: Studio Nut/Shutterstock)
(Imagem: Studio Nut/Shutterstock)

Sabe aqueles aplicativos que seus filhos usam, como Roblox, TikTok e até o ChatGPT? Pois é, essas e outras plataformas digitais estão apertando o cerco para saber quem realmente está do outro lado da tela, tudo com um objetivo muito importante: proteger crianças e adolescentes. A iniciativa busca criar um ambiente online mais seguro e evitar riscos como exploração sexual e problemas de saúde mental.

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Essa mudança não acontece por acaso. Vários países têm pressionado essas empresas a colocarem limites mais claros para o acesso de menores de idade a conteúdos e ferramentas que podem ser perigosos. No Brasil, essa preocupação é traduzida no ECA Digital, uma nova regra que deve começar a valer em março de 2026. Essa lei vai obrigar sites e aplicativos a conferirem a idade de seus usuários sempre que houver material que não seja adequado para menores de 16 anos.

Brasil quer aumentar a idade mínima para redes sociais e IAs

As novidades não param por aí. O governo brasileiro também está de olho em elevar a idade mínima para que jovens possam criar contas em redes sociais e usar ferramentas de inteligência artificial, como os chatbots. Hoje, a idade geral é de 13 anos, mas a Secretaria de Políticas Digitais estuda subir esse limite para 14 ou até 16 anos.

A ideia por trás disso é garantir que os adolescentes só acessem essas plataformas quando tiverem mais maturidade para entender e lidar com os desafios do mundo virtual. Uma das grandes preocupações das autoridades é o impacto que o uso precoce de telas e algoritmos viciantes tem na saúde mental dos jovens, podendo gerar ansiedade e dependência.

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Com essa mudança na lei, as empresas de tecnologia terão que abandonar a simples “autodeclaração” de idade. O governo quer que as plataformas usem os novos métodos de verificação, como análise de documentos ou biometria facial, para realmente comprovar a idade dos usuários. Assim, a responsabilidade pela fiscalização deixa de ser só dos pais e se torna uma obrigação legal das redes sociais.

Como a tecnologia verifica a sua idade na internet?

Não existe uma única forma de descobrir a idade de alguém online, então cada empresa escolhe o seu método. Por exemplo, plataformas como YouTube, TikTok e ChatGPT usam a inteligência artificial (IA) para observar como a pessoa navega no aplicativo, tentando estimar quantos anos ela tem a partir desse comportamento. Já o Roblox e o Discord costumam pedir a verificação quando o usuário tenta usar ferramentas que podem trazer mais riscos, como o chat de voz.

As formas mais comuns que as empresas aceitam para provar a idade são:

  • Uma selfie para análise do rosto.
  • O uso de um cartão de crédito, que geralmente exige ser maior de idade.
  • O envio de um documento oficial com foto (como RG ou CNH).

Alguns sistemas são bem avançados: o Roblox e o ChatGPT, por exemplo, usam uma tecnologia chamada Persona. Ela analisa a distância entre os olhos e o formato do nariz na selfie para ver se combina com o documento enviado. O Discord, por sua vez, conta com o sistema k-ID, que processa a imagem no próprio aparelho do usuário e pode validar a idade automaticamente se ela já tiver sido confirmada em outras redes parceiras.

Desafios e a importância da participação dos pais

Apesar de toda essa tecnologia, é importante saber que esses sistemas ainda não são perfeitos. Um dos grandes desafios são as chamadas deepfakes, que são imagens falsas criadas por inteligência artificial para enganar os sistemas de reconhecimento. Além disso, um estudo feito na Austrália mostrou que essas ferramentas erram mais ao tentar adivinhar a idade de crianças e pré-adolescentes.

Isso acontece porque o rosto dos jovens muda muito rápido, e ainda existem poucos dados de crianças para “treinar” a inteligência artificial de forma completa. Por causa dessas falhas, a verificação de idade é vista como um trabalho em constante melhoria, mas que já oferece uma camada extra de proteção.

Além da tecnologia, especialistas reforçam que os pais e responsáveis têm um papel fundamental. É essencial usar ferramentas de controle parental e, principalmente, manter conversas abertas com os filhos sobre o que eles veem e fazem na internet. O objetivo final é um só: garantir que as redes sociais sejam responsabilizadas e que o ambiente digital seja, de fato, mais seguro para todos os menores de idade.

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