Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Pesquisadores encontram mais de 1.000 ninhos no fundo do mar de Weddell

Em 2019, durante a busca pelo Endurance, equipe mapeou mais de 1.000 ninhos de Lindbergichthys nudifrons no fundo do mar de Weddell.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
29 de outubro, 2025 · 20:25 2 min de leitura
(Imagem: Alones/Shutterstock)
(Imagem: Alones/Shutterstock)

Durante a busca pelo navio Endurance, em 2019, os pesquisadores encontraram algo que ninguém esperava ver ali: mais de 1.000 ninhos no fundo do mar de Weddell.

Publicidade

Um veículo subaquático remoto mapeou dezenas de depressões circulares, limpas e bem definidas, que sobressaíam no tapete de fitoplâncton. As cavidades foram identificadas como ninhos do peixe Lindbergichthys nudifrons — o chamado bacalhau‑amarelo — e os cientistas viram exemplares próximos às covas, cuidando delas.

“Ficamos realmente perplexos”, disse Russ Connelly, da Universidade de Essex.

Organização surpreendente

Como explicar tanta organização? Os pesquisadores descartaram a ideia de que fossem apenas marcas de forrageio: as cavidades tinham formatos uniformes e os peixes permaneciam junto às depressões. Em vez disso, a disposição dos ninhos fez os cientistas recorrerem à teoria do “rebanho egoísta”: ninhos centrais podem dar mais proteção contra predadores, enquanto os locais periféricos seriam ocupados por indivíduos maiores e mais agressivos.

Publicidade

Os padrões observados incluíam:

  • Aglomerados
  • Formações semicirculares (em crescente)
  • Linhas
  • Ovais
  • Em U
  • Ninhos isolados

O estudo com esses registros foi publicado na revista Frontiers in Marine Science.

Contexto ambiental

O acesso a essa área ficou possível depois do desprendimento do iceberg A68, em 2017 — um bloco de cerca de 5,8 mil quilômetros quadrados que se soltou da plataforma de gelo Larsen C e abriu trechos antes cobertos por gelo.

Essa descoberta destacou a riqueza ecológica do mar de Weddell e reacendeu discussões sobre proteção da região. Em 2018, a Alemanha propôs a criação de uma área marinha protegida com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados. A organização Antarctic and Southern Ocean Coalition alertou: “A mudança climática está alterando rapidamente o mar de Weddell”.

A expedição também localizou o Endurance a cerca de 3.000 metros de profundidade; o casco estava preservado e recoberto por anêmonas, estrelas‑do‑mar e crinóides, agora integrados ao ecossistema local.

Pesquisadores e órgãos de conservação continuam a trabalhar com esses dados para orientar medidas de proteção, enquanto as mudanças ambientais seguem moldando essa região remota.

Leia também