Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Pela Primeira Vez, Chip Nvidia H100 Roda IA no Espaço e Abre Nova Era Tecnológica

Startup Starcloud faz história ao rodar um modelo de IA completo no espaço usando um chip Nvidia H100, inaugurando a era dos data centers orbitais para combater o consumo de energia na Terra.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
10 de dezembro, 2025 · 19:46 4 min de leitura
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

Imagine só: a inteligência artificial (IA) que tanto usamos aqui na Terra agora está operando lá no espaço! Essa novidade que parece coisa de filme virou realidade graças à startup norte-americana Starcloud, que fez história ao colocar um chip H100 da Nvidia para rodar um modelo de IA completo em órbita.

Publicidade

O satélite, batizado de Starcloud-1, marcou um momento simbólico para a corrida tecnológica. É a primeira vez que um processador dessa categoria opera fora do nosso planeta, funcionando como se estivesse em um servidor comum, aqui embaixo.

IA no espaço: a resposta para a sede de energia da tecnologia

Essa façanha da Starcloud não é apenas um feito técnico, mas um passo gigantesco em uma discussão urgente: como vamos sustentar a expansão da IA sem sobrecarregar nossas redes elétricas e sistemas de resfriamento, que já dão sinais de esgotamento? É que os data centers terrestres consomem cada vez mais energia e água, e a projeção é que a demanda global mais que dobre até 2030.

É nesse cenário que a computação orbital surge como uma alternativa promissora. Grandes nomes como Google, Lonestar e Aetherflux também estão de olho nessa possibilidade, mas foi a Starcloud quem conseguiu colocar o primeiro protótipo para funcionar de verdade. A ideia é aproveitar a energia solar contínua do espaço para criar um ambiente de computação de alto desempenho, diminuindo o impacto ambiental aqui na Terra.

O satélite que brincou com os terráqueos

Publicidade

Para o experimento, a Starcloud usou o Gemma, um modelo de linguagem grande (LLM, na sigla em inglês) do Google, em sua versão aberta. Quando perguntaram ao satélite sobre si mesmo, a resposta veio com bom humor:

“Saudações, terráqueos! Ou, como prefiro pensar em vocês – uma fascinante mistura de azul e verde.”

Essa resposta divertida não é apenas uma piada; é a prova concreta de que o chip H100 da Nvidia não só aguentou o ambiente hostil do espaço, mas também processou linguagem natural com a mesma fluidez de um computador em terra firme. Isso mostra que o satélite conseguiu manter a estabilidade térmica, o suprimento de energia e a integridade de seus componentes, mesmo longe das condições controladas de um data center aqui na Terra.

O sistema do Starcloud-1 também foi capaz de treinar o NanoGPT, outro modelo de linguagem criado por Andrej Karpathy, usando toda a obra de Shakespeare. O resultado? O LLM conseguiu responder em inglês arcaico, reforçando a capacidade de processamento do hardware espacial.

Até mesmo o Google reconheceu a importância do teste. Segundo Tris Warkentin, diretor de produto do DeepMind, ver o Gemma funcionar “no ambiente hostil do espaço” é um sinal da flexibilidade e robustez dos modelos abertos da empresa.

Planos ambiciosos: data centers no espaço

Com essa prova de conceito bem-sucedida, a Starcloud agora tem planos ainda maiores: construir um data center de 5 gigawatts em órbita! Para você ter uma ideia, um complexo desse tamanho, equipado com painéis solares e sistemas de resfriamento de quilômetros de largura e altura, geraria mais energia do que a maior usina elétrica dos Estados Unidos.

A principal vantagem de levar a computação para o espaço é a energia solar constante. Lá não existe noite, nuvens ou variações climáticas que afetam as instalações terrestres. A empresa estima que a vida útil desses satélites seria de cerca de cinco anos, com a promessa de uma fonte quase inesgotável de energia limpa para sustentar modelos de IA cada vez mais potentes.

Além de projetos futuros, o Starcloud-1 já está mostrando utilidade imediata. Ele consegue analisar imagens de satélite em tempo real para identificar, por exemplo, focos de incêndio no instante em que surgem ou localizar embarcações e botes à deriva no mar. O sistema também consegue consultar e descrever seus próprios “sinais vitais”, como posição e velocidade, em linguagem natural, abrindo caminho para aplicações militares, ambientais e de proteção civil.

O próximo grande salto já está programado para outubro de 2026. A Starcloud planeja lançar um satélite com chips Nvidia H100, a plataforma Blackwell e um módulo com a nuvem da Crusoe. A expectativa é que essa combinação permita que os clientes processem tarefas de IA diretamente do espaço, transformando o protótipo em um serviço comercial de alto desempenho.

Como resumiu Dion Harris, diretor de infraestrutura de IA da Nvidia, a partir de “um pequeno data center”, o setor deu “um grande salto em direção a um futuro no qual a computação em órbita aproveita a energia infinita do Sol”. A corrida da IA, definitivamente, decolou para o espaço.

Leia também