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Padrinho da IA alerta: avanço pode "bater em muro" e criar bolha tecnológica

Yoshua Bengio, um dos criadores da IA moderna, alerta que o setor pode enfrentar estagnação técnica e colapso financeiro, apesar de bilhões em investimentos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
19 de janeiro, 2026 · 11:59 3 min de leitura
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

O mercado de tecnologia global vive um momento de grandes expectativas e, ao mesmo tempo, de um receio gigantesco. Yoshua Bengio, uma das mentes por trás da Inteligência Artificial moderna e conhecido como um de seus "padrinhos", fez um alerta importante: o avanço em direção à Inteligência Artificial Geral (AGI) pode estar prestes a enfrentar um grande obstáculo, correndo o risco de "bater num muro" técnico. Se isso acontecer, podemos ver uma crise financeira parecida com a de 2008, mas agora impulsionada pelo setor de tecnologia.

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A AGI é o tipo de inteligência artificial que se espera ser capaz de realizar tarefas complexas de escritório e substituir o trabalho humano em várias áreas. A promessa é enorme, mas e se ela não se concretizar? Investimentos gigantescos estão em jogo, como os impressionantes US$ 2,9 trilhões (cerca de R$ 16 trilhões) que serão aplicados na construção de data centers até 2028. Se a tecnologia não entregar o que promete, o impacto negativo pode ser sentido em toda a economia mundial.

A estratégia atual e o risco da "escada para a Lua"

Hoje, a indústria da IA aposta todas as fichas no que chamam de "escalonamento". Isso significa aumentar ao máximo o poder de processamento dos sistemas, na esperança de que, com mais capacidade, a inteligência artificial evolua sozinha para um nível superior. No entanto, alguns especialistas comparam essa tática a tentar chegar à Lua construindo escadas cada vez mais altas. A ideia é que, se a Inteligência Artificial Geral realmente precisar de uma "arquitetura" — um jeito de funcionar — que seja totalmente diferente da atual, simplesmente empilhar mais chips e gastar mais energia não vai ser o suficiente. Sem uma nova grande descoberta científica, a velocidade dos avanços que os investidores esperam pode simplesmente não acontecer.

O financiamento dessa expansão tecnológica adiciona uma camada extra de risco financeiro. O crescimento da IA tem sido bancado cada vez mais com crédito privado e títulos de alto risco. A Meta, por exemplo, pegou emprestado US$ 29 bilhões (R$ 156 bilhões) nesse mercado para bancar um de seus data centers. No cenário dos Estados Unidos, a infraestrutura de IA já representa 15% de toda a dívida de grau de investimento. Se os trilhões investidos não derem o retorno esperado, no tempo planejado, a preocupação dos economistas é que isso possa gerar um efeito cascata, derrubando ao mesmo tempo os mercados de títulos, ações e até fundos de pensão.

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"Estamos em um momento de irracionalidade e uma espécie de bolha industrial", admitiram publicamente CEOs de grandes empresas como Google, Amazon e OpenAI, mostrando que a preocupação com o superaquecimento do setor é real.

Apesar de todo esse otimismo e dos trilhões em jogo, até mesmo líderes de peso em empresas como Google, Amazon e OpenAI já admitem abertamente que o setor está vivendo momentos de "irracionalidade" e uma "bolha industrial". Por outro lado, nem tudo é incerteza. Analistas acreditam que a IA generativa, que já temos hoje, é bastante útil e capaz de transformar áreas como publicidade e software. Isso, por si só, já poderia justificar muitos dos gastos, mesmo que não cheguemos a uma "inteligência artificial divina". A grande questão, então, é saber se os resultados práticos e visíveis da IA chegarão antes que a paciência (e o dinheiro) dos investidores se esgote de vez.

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