Desde o seu lançamento em 25 de dezembro de 2021, o Telescópio James Webb (JWST), da NASA, tem proporcionado uma série de descobertas significativas, mas ainda não conseguiu detectar a primeira exolua, um satélite natural de um planeta fora do Sistema Solar. O desafio dessa busca foi recentemente discutido em um artigo pré-publicado no arXiv, liderado pelo pesquisador David Kipping, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos.
A investigação concentrou-se na análise de 60 horas de observações com o instrumento NIRSpec do JWST, buscando por sinais que pudessem corroborar a existência da exolua. As pistas anteriores levantadas pelos pesquisadores apontavam para possíveis gases estranhos que, segundo a hipótese, poderiam sugerir a presença de luas invisíveis. Um foco essencial se deu sobre o exoplaneta Kepler-167e, considerado apto para essa busca, pois sua massa é levemente inferior à do maior gigante gasoso do Sistema Solar e orbita sua estrela a uma distância correspondente entre Marte e Júpiter.
No entanto, ao analisar as variações na luz do exoplaneta, que foram registradas, os pesquisadores acabaram por atribuí-las, em parte, ao efeito do próprio detector. Além disso, os dados foram processados em diferentes abordagens, utilizando pipelines específicos, e comparados a diversos modelos matemáticos que tentam identificar variações sutis na luz estelar. Uma combinação de sete das doze abordagens utilizadas chegou a indicar a possível presença da exolua, mas também apresentaram a alternativa de que tais sinais poderiam ser resultado de um fenômeno diferente, como uma mancha estelar.
Conforme as análises avançaram, a equipe concluiu que a hipótese mais plausível referia-se a manchas na superfície da própria estrela Kepler-167, resultado de estudos anteriores que mostraram a capacidade dessa estrela de gerar manchas significativas. Reconhecendo as complexidades da situação, os pesquisadores determinaram que seria mais provável que os sinais observados corresponderam a fenômenos estelares e não a uma exolua. Apesar disso, a equipe mantém a perspectiva otimista sobre novas investigação futuras.
Os autores do estudo planejam realizar novas observações do exoplaneta Kepler-167e em outubro de 2027. Embora não haja certeza sobre a disponibilidade do tempo necessário no telescópio, é destacado que diversos projetos focados na busca por exoluas estão em andamento, o que alimenta a expectativa de que a confirmação de uma exolua seja apenas uma questão de tempo.







