A ciência encontrou um aliado de peso para enfrentar doenças que hoje desafiam a medicina. Com o uso da Inteligência Artificial (IA), pesquisadores estão conseguindo identificar novos medicamentos em questão de horas, um processo que antes exigia anos de testes exaustivos e investimentos milionários em laboratórios.
Um dos maiores avanços acontece no combate às superbactérias. Estimativas indicam que a resistência a antibióticos pode causar 8 milhões de mortes por ano até 2050. No MIT, cientistas já usaram a tecnologia para descobrir compostos capazes de derrotar infecções graves, como a gonorreia e a SARM, que atualmente resistem a quase todos os remédios conhecidos.
O Parkinson é outro alvo da nova tecnologia. Na Universidade de Cambridge, pesquisadores utilizam o aprendizado de máquina para vasculhar bilhões de moléculas em busca de uma solução. O que levaria seis meses e custaria fortunas agora é feito em poucos dias, permitindo identificar substâncias que podem travar o avanço da doença degenerativa.
Além de criar novos remédios, a IA está sendo usada para dar utilidade a medicamentos que já existem nas farmácias. O método, chamado de reposicionamento, cruza dados de milhares de drogas aprovadas com 17 mil doenças diferentes, oferecendo esperança para quem sofre com condições raras que não despertam o interesse financeiro da indústria.
Apesar do otimismo, especialistas alertam que a tecnologia ainda enfrenta barreiras, como o sigilo de dados mantido por grandes empresas farmacêuticas sobre a toxicidade das substâncias. Atualmente, a IA é mais forte na fase inicial de triagem, separando o que funciona do que é descarte.
A expectativa é que, em até dez anos, a maior parte do desenvolvimento de novos tratamentos seja guiada por computadores. Se as previsões se confirmarem, a medicina poderá não apenas curar, mas estabilizar doenças graves antes mesmo que os primeiros sintomas apareçam no paciente.







