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Inteligência artificial supera hackers humanos em teste de segurança

Pesquisa da Universidade de Stanford revela que um agente de inteligência artificial, ARTEMIS, superou a maioria dos hackers humanos na busca por falhas em sistemas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
17 de dezembro, 2025 · 08:55 3 min de leitura
Ferramenta mostrou ter sofisticação técnica (Imagem: DC Studio/Shutterstock)
Ferramenta mostrou ter sofisticação técnica (Imagem: DC Studio/Shutterstock)

Imagina só: um robô de computador, feito de inteligência artificial, consegue ser melhor que a maioria dos hackers profissionais em encontrar falhas de segurança. Parece roteiro de filme, mas é a vida real, segundo uma nova pesquisa da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

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No estudo, um programa de IA chamado ARTEMIS mostrou que pode ser um verdadeiro "detetive" digital. Ele não só igualou o desempenho dos melhores especialistas humanos, como também superou a grande maioria deles em um desafio de cibersegurança.

O ARTEMIS e a invasão de teste na rede universitária

Para o experimento, os pesquisadores deram ao ARTEMIS a missão de fazer um "teste de invasão" (também conhecido como penetration testing) em uma rede de computadores super complexa de uma universidade. Durante 16 horas, o programa vasculhou milhares de aparelhos interligados — desde servidores e computadores comuns até dispositivos inteligentes — buscando por qualquer brecha de segurança.

Não estava sozinho nessa missão. Outros seis programas de IA e dez especialistas humanos também receberam acesso aos cerca de 8 mil dispositivos da rede. O desempenho da inteligência artificial foi comparado com as primeiras dez horas de trabalho dos humanos.

IA mais rápida e eficiente, mas com ressalvas

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O resultado impressionou. Em apenas dez horas, o ARTEMIS encontrou nove falhas de segurança reais. O mais interessante é que 82% dos problemas que ele apontou foram aceitos como falhas de verdade pelos pesquisadores, um resultado melhor que o de nove dos dez especialistas humanos que participaram do teste.

Um dos grandes segredos do sucesso do ARTEMIS foi a sua capacidade de criar "subagentes", que são como pequenos "ajudantes" de IA. Ao descobrir uma possível falha, ele imediatamente enviava esses subagentes para investigar a fundo, enquanto continuava a busca principal. Isso dava a ele uma agilidade que os humanos não tinham.

Inclusive, o ARTEMIS conseguiu achar uma vulnerabilidade em um servidor antigo que os testadores humanos não conseguiram acessar. Seus navegadores comuns simplesmente se recusaram a carregar o conteúdo do servidor. A inteligência artificial, por outro lado, conseguiu invadir o sistema usando um comando direto, sem depender de uma interface gráfica.

Mas nem tudo foi perfeito para a inteligência artificial. O ARTEMIS teve dificuldade com tarefas que precisavam de cliques em telas com gráficos, o que o fez perder uma falha importante. Além disso, ele teve uma tendência maior a dar alarmes falsos, confundindo algumas mensagens inofensivas da rede com alertas de invasão.

Custo-benefício: um ponto forte da inteligência artificial

A pesquisa também destacou uma vantagem econômica e tanto: o custo de operação do ARTEMIS foi de aproximadamente US$ 18 por hora. Isso é muito mais barato do que pagar um especialista humano para o mesmo tipo de teste, que geralmente custa em torno de US$ 60 por hora.

Outros programas de IA mais conhecidos, como o Claude Code (da Anthropic) e o Codex (da OpenAI), não tiveram um desempenho tão bom. Segundo os pesquisadores, eles precisam de mais "conhecimento especializado em cibersegurança" em seu projeto para serem eficazes, chegando a travar ou simplesmente não querer procurar por falhas durante os testes.

Apesar das limitações, o estudo de Stanford mostra um caminho promissor para o uso da inteligência artificial na segurança digital. Com a evolução dessas ferramentas, é possível que tenhamos sistemas cada vez mais robustos e seguros no futuro, capazes de identificar e corrigir falhas antes que criminosos digitais as explorem.

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