Um processo que pode abalar as estruturas das redes sociais está na reta final nos Estados Unidos. A acusação é pesada: empresas como Meta, dona do Instagram e Facebook, e o YouTube, do Google, teriam projetado suas plataformas de propósito para viciar crianças e adolescentes, usando uma verdadeira "engenharia da dependência".
Quem move a ação é uma jovem de 20 anos, identificada como Kaley. Ela começou a usar o YouTube com apenas seis anos e o Instagram com nove. O resultado, segundo seus advogados, foi desastroso. Aos 10 anos, ela já apresentava sintomas de depressão e comportamentos de automutilação, sendo depois diagnosticada com fobia social.
O foco do julgamento não é o conteúdo que a jovem via, mas o próprio funcionamento dos aplicativos. Ferramentas como o "scroll infinito", a reprodução automática de vídeos e os botões de curtida são apontadas como mecanismos criados para prender a atenção do usuário pelo maior tempo possível, tudo para lucrar com anúncios.
Durante o julgamento, vieram à tona documentos internos das próprias empresas que deixaram muita gente de cabelo em pé. Um registro do YouTube de 2021 admitia que a empresa simplesmente não media o bem-estar dos seus usuários. Outro documento era ainda mais direto: "O objetivo não é a audiência, é o vício do usuário".
E-mails da Meta também revelaram discussões internas sobre mirar em crianças com menos de 13 anos, um plano que, segundo as mensagens, já era de interesse do próprio chefão, Mark Zuckerberg. Em outra troca de mensagens, um funcionário desabafou: "Oh meu deus, pessoal, o IG [Instagram] é uma droga", e um colega concordou: "na verdade, todas as redes sociais são".
Este caso é visto como um teste para mais de 1.600 processos semelhantes movidos por famílias e até distritos escolares nos EUA. Empresas como TikTok e Snapchat, que também estavam na mira, preferiram fazer acordos financeiros antes que o julgamento começasse, evitando o desgaste público.
Agora, um júri popular decidirá se Meta e YouTube foram negligentes. Se forem condenadas, as empresas podem enfrentar indenizações milionárias e uma forte pressão para mudar a forma como seus aplicativos funcionam. A decisão pode criar um precedente que afetará as redes sociais no mundo todo.







