Uma nova ferramenta de Inteligência Artificial (IA), desenvolvida por pesquisadores da Carnegie Institution for Science, nos Estados Unidos, identifica sinais químicos que podem indicar a presença de vida em rochas da Terra primitiva. Publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo liderado por Robert Hazen, geólogo, representa um avanço significativo na astrobiologia ao conseguir detectar vestígios de organismos em rochas com até 3,3 bilhões de anos.
A inovação permite que os cientistas identifiquem sinais que antes eram inacessíveis devido à raridade de fósseis intactos e à degradação de biomoléculas. O novo algoritmo analisa padrões de degradação molecular que funcionam como “fantasmas” deixados por formas de vida antigas. A ferramenta foi testada em mais de 400 amostras de rochas, sedimentos e meteoritos, sob temperaturas superiores a 600 °C, utilizando um cromatógrafo gasoso acoplado a um espectrômetro de massas, resultando em centenas de fragmentos voláteis.
Com uma precisão superior a 90%, o sistema é capaz de diferenciar amostras com e sem vestígios de vida. Este método não apenas retrocede a linha do tempo das bioassinaturas conhecidas, mas também abre possibilidades de detectar traços biológicos em Marte e nas luas de Júpiter e Saturno. Durante os testes, o algoritmo reconheceu a assinatura molecular da fotossíntese em rochas datadas de 2,5 bilhões de anos, antecipando em 800 milhões de anos evidências anteriores desse processo fundamental para a atmosfera terrestre.
Apesar da precisão elevada, os pesquisadores reconhecem que a confiança do modelo pode variar com a idade das rochas. Há uma taxa de detecção de apenas 47% em amostras com mais de 2,5 bilhões de anos. Karen Lloyd, biogeoquímica microbiana da Universidade do Sul da Califórnia, observa que a confiança pode ser aprimorada à medida que mais dados são coletados para treinamento do modelo.
As aplicações desta pesquisa vão além da Terra, contribuindo para a busca por vida extraterrestre. A metodologia inovadora não só permite revisitar o passado da Terra, mas também lança novas perspectivas para explorar ambientes antigos e alienígenas, investigando sinais que poderiam ter passado despercebidos até então. As descobertas marcam um passo importante na compreensão das origens da vida e na possibilidade de encontrar bioassinaturas em outros mundos.







