Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

IA identifica sinais de vida em rochas da Terra primitiva

Uma nova IA revela sinais de vida em rochas de 3,3 bilhões de anos, retrocedendo a descoberta em 800 milhões de anos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
04 de dezembro, 2025 · 11:49 2 min de leitura
Evidências fósseis conclusivas de vida antiga remontam a mais de 3,5 bilhões de anos, na forma de montes chamados estromatolitos depositados por tapetes bacterianos. Uma nova análise de inteligência artificial recua as evidências moleculares para 3,3 bilhões de anos atrás. Crédito: Paulo Harrison / Wikimedia Commons
Evidências fósseis conclusivas de vida antiga remontam a mais de 3,5 bilhões de anos, na forma de montes chamados estromatolitos depositados por tapetes bacterianos. Uma nova análise de inteligência artificial recua as evidências moleculares para 3,3 bilhões de anos atrás. Crédito: Paulo Harrison / Wikimedia Commons

Uma nova ferramenta de Inteligência Artificial (IA), desenvolvida por pesquisadores da Carnegie Institution for Science, nos Estados Unidos, identifica sinais químicos que podem indicar a presença de vida em rochas da Terra primitiva. Publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, o estudo liderado por Robert Hazen, geólogo, representa um avanço significativo na astrobiologia ao conseguir detectar vestígios de organismos em rochas com até 3,3 bilhões de anos.

Publicidade

A inovação permite que os cientistas identifiquem sinais que antes eram inacessíveis devido à raridade de fósseis intactos e à degradação de biomoléculas. O novo algoritmo analisa padrões de degradação molecular que funcionam como “fantasmas” deixados por formas de vida antigas. A ferramenta foi testada em mais de 400 amostras de rochas, sedimentos e meteoritos, sob temperaturas superiores a 600 °C, utilizando um cromatógrafo gasoso acoplado a um espectrômetro de massas, resultando em centenas de fragmentos voláteis.

Com uma precisão superior a 90%, o sistema é capaz de diferenciar amostras com e sem vestígios de vida. Este método não apenas retrocede a linha do tempo das bioassinaturas conhecidas, mas também abre possibilidades de detectar traços biológicos em Marte e nas luas de Júpiter e Saturno. Durante os testes, o algoritmo reconheceu a assinatura molecular da fotossíntese em rochas datadas de 2,5 bilhões de anos, antecipando em 800 milhões de anos evidências anteriores desse processo fundamental para a atmosfera terrestre.

Apesar da precisão elevada, os pesquisadores reconhecem que a confiança do modelo pode variar com a idade das rochas. Há uma taxa de detecção de apenas 47% em amostras com mais de 2,5 bilhões de anos. Karen Lloyd, biogeoquímica microbiana da Universidade do Sul da Califórnia, observa que a confiança pode ser aprimorada à medida que mais dados são coletados para treinamento do modelo.

Publicidade

As aplicações desta pesquisa vão além da Terra, contribuindo para a busca por vida extraterrestre. A metodologia inovadora não só permite revisitar o passado da Terra, mas também lança novas perspectivas para explorar ambientes antigos e alienígenas, investigando sinais que poderiam ter passado despercebidos até então. As descobertas marcam um passo importante na compreensão das origens da vida e na possibilidade de encontrar bioassinaturas em outros mundos.

Leia também