Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Google e Meta unem forças contra domínio da Nvidia na IA

Google e Meta se unem para diminuir a dependência da Nvidia no mercado de IA, focando em software para tornar chips alternativos compatíveis com o PyTorch.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
18 de dezembro, 2025 · 14:41 3 min de leitura
(Imagem: Koshiro K/Shutterstock)
(Imagem: Koshiro K/Shutterstock)

Num movimento estratégico que promete agitar o mercado de inteligência artificial (IA), gigantes da tecnologia como Google e Meta estão se unindo para desafiar a forte liderança da Nvidia. O plano principal? Focar no software. A ideia é diminuir a dependência que hoje existe dos chips da Nvidia, abrindo caminho para que outras empresas, como o próprio Google, possam competir de igual para igual.

Publicidade

Essa disputa não é sobre quem fabrica o chip mais potente. A grande força da Nvidia no mundo da IA está num conjunto de ferramentas de software chamado CUDA. Imagine o CUDA como um "tradutor" super eficiente que conecta o hardware (os chips da Nvidia) com os programas que os desenvolvedores usam para criar inteligências artificiais. Ao longo dos anos, o CUDA se tornou o padrão para quem desenvolve IA, criando um casamento quase perfeito com ambientes de programação como o PyTorch.

A 'Armadilha' do Software: Como a Nvidia construiu seu império

Quando alguém cria um modelo de IA, geralmente não programa direto para o chip. Usa-se um "ambiente pronto", como o PyTorch, que facilita muito o trabalho. A Nvidia, de forma inteligente, otimizou tanto seu ecossistema que o PyTorch funciona de maneira incrivelmente rápida e eficiente em suas placas de vídeo (GPUs).

“Esse casamento entre PyTorch e CUDA criou uma vantagem que é difícil para qualquer um copiar”, aponta a agência Reuters, que revelou os detalhes dessa corrida.

Publicidade

É um ciclo: quanto mais empresas usam, mais ferramentas surgem para o ambiente Nvidia, e mais caro e complicado fica para mudar. Isso criou o que chamamos de "aprisionamento tecnológico". Sair da Nvidia significa gastar muito tempo, dinheiro e ter equipes super especializadas para adaptar tudo. Para concorrentes como o Google, mesmo tendo chips muito bons, como as TPUs (Tensor Processing Units), a barreira do software faz com que muitos clientes nem considerem a troca.

TorchTPU: A resposta do Google e Meta para um mercado mais aberto

É aqui que entra o projeto TorchTPU. A iniciativa do Google, com apoio essencial da Meta, busca uma solução simples: tornar os chips do Google totalmente compatíveis com o PyTorch. A ideia é que o software, que é o padrão de mercado, rode perfeitamente nas TPUs do Google, sem que os desenvolvedores precisem reescrever seus códigos ou mudar toda a sua infraestrutura.

Atualmente, as TPUs do Google funcionam muito bem, mas são otimizadas principalmente para um programa interno chamado Jax. Isso é ótimo para o uso dentro da própria empresa, mas atrapalha clientes externos que já trabalham com PyTorch. O TorchTPU quer fechar essa lacuna, tirando o trabalho extra de quem quer usar os chips do Google.

Essa não é uma tentativa qualquer. O Google está tratando o projeto como prioridade máxima, chegando a considerar a abertura de partes do software para acelerar a adoção e atrair mais desenvolvedores. A parceria com a Meta é crucial, afinal, a Meta é a criadora e principal mantenedora do PyTorch. Para a Meta, tornar o PyTorch mais flexível significa reduzir custos, ter mais opções de infraestrutura de IA e ganhar poder de negociação frente à Nvidia.

No cenário atual, o Google já vem expandindo a venda de suas TPUs para outros clientes, instalando-as até em centros de dados fora da sua própria nuvem. Se o projeto TorchTPU realmente der certo, a dependência da Nvidia pode diminuir significativamente. Não porque faltam chips poderosos, mas porque a principal barreira – o software – finalmente deixará de ser um problema.

Leia também