O preço do feijão-carioca pode alcançar R$ 12 por quilo em algumas regiões do Brasil no início de 2027. A projeção é do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe). O cenário ocorre mesmo com o aumento previsto na produção da Bahia.
Segundo estudo do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), do Banco do Nordeste, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Comex Stat, a Bahia deve produzir 318,5 mil toneladas na safra 2025/2026. O volume representa alta de 9,5% ante o ciclo anterior.
A Bahia é o maior produtor de feijão do Nordeste e responde por cerca de 45% da safra regional. No conjunto da região, a produção deve chegar a 711,7 mil toneladas, crescimento de 17,8%. Já a produção nacional tem previsão de queda de 3,2% no mesmo período, conforme o Banco do Nordeste.
O Ibrafe informa que a saca do feijão-carioca é negociada acima de R$ 310. A entidade relaciona a pressão à redução dos estoques e à cautela dos agricultores diante dos riscos climáticos e da disputa por áreas com soja e algodão.
No Oeste baiano, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) registrou o feijão-carioca a R$ 305 por saca de 60 quilos em 21 de setembro de 2026. A cotação permaneceu estável na data. As fontes consultadas não trazem dados específicos sobre diferenças entre os preços da capital, da Região Metropolitana e do interior, nem sobre Paulo Afonso e municípios próximos.
O Ibrafe também aponta que a primeira safra de feijão no Paraná pode ocupar cerca de 90 mil hectares em 2026/2027, ante 104 mil hectares no ciclo anterior. A preferência pela soja é citada como um dos fatores para a redução da área do feijão, devido à maior liquidez e à demanda internacional da oleaginosa.
O excesso de chuva no Sul, o calor e a irregularidade das precipitações em outras regiões podem afetar a oferta. Segundo o Ibrafe, o preço de R$ 12 pode permanecer entre fevereiro e maio de 2027 e recuar após a entrada da segunda safra. A normalização depende do volume colhido nos ciclos seguintes, com possível alívio somente após a chegada das próximas safras.







