O uso constante de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) está criando uma nova síndrome de cansaço mental apelidada de 'brain fry', ou fritura cerebral. Um estudo recente da Boston Consulting Group, realizado com quase 1.500 profissionais, aponta que o esforço para dominar essas tecnologias tem levado trabalhadores ao limite do esgotamento.
Diferente do que se imagina, a IA nem sempre facilita o trabalho. Programadores e desenvolvedores relatam que revisar códigos gerados por máquinas exige muito mais atenção e tempo do que o material produzido por humanos. Em um dos casos citados, um engenheiro chegou a trabalhar 15 horas seguidas para corrigir erros de uma inteligência artificial.
A sobrecarga ocorre principalmente porque o trabalhador precisa gerenciar vários assistentes digitais ao mesmo tempo e escrever comandos complexos. Esse cenário tem estendido as jornadas de trabalho e provocado sintomas claros de desgaste, como irritabilidade e falta de ânimo para atividades simples do cotidiano.
Por outro lado, a pesquisa trouxe um ponto curioso: quando a IA é usada apenas para tarefas repetitivas e simples, o índice de burnout diminui. O problema real aparece quando a tecnologia aumenta a carga de responsabilidade e a complexidade do que precisa ser entregue pelo profissional.
Especialistas alertam que essa 'fritura' mental não é apenas um problema de saúde, mas também um risco para a qualidade do serviço. O excesso de confiança ou a dependência dessas ferramentas pode comprometer o futuro de diversas profissões se não houver um equilíbrio no uso.







