Paulo Afonso · BA
Última hora
Operação prende 14 suspeitos em Salvador nesta manhãSTF retoma julgamento sobre marco temporal nesta tardeVitória empata em casa pela Copa do BrasilVagas de emprego no polo de Camaçari saltam 22%Salvador registra maior volume de chuva do mês
PI 637
Serviço

Copilot da Microsoft enfrenta desafios na corrida da IA

Apesar de ser prioridade da Microsoft, o Copilot enfrenta baixa adesão de usuários e desafios de integração, gerando preocupação no mercado de IA.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
04 de fevereiro, 2026 · 16:09 3 min de leitura
(Imagem: Mojahid Mottakin / Shutterstock.com)
(Imagem: Mojahid Mottakin / Shutterstock.com)

O Copilot, a grande aposta da Microsoft para o futuro da inteligência artificial, está no centro da estratégia da empresa, mas também no meio de uma tempestade. Enquanto a gigante da tecnologia tenta diminuir sua dependência da OpenAI e se firmar como líder em IA, o caminho do Copilot tem se mostrado mais acidentado do que o esperado.

Publicidade

A visão é ambiciosa: o CEO Satya Nadella quer transformar a Microsoft em uma empresa de inteligência artificial, assim como o Azure a tornou uma potência na computação em nuvem anos atrás. O sucesso do Copilot é visto como crucial para alcançar esse objetivo grandioso. No entanto, relatos de funcionários e dados do mercado pintam um cenário desafiador para a ferramenta.

Adesão e concorrência: um cenário preocupante

Uma análise do Wall Street Journal revelou que poucos clientes corporativos do pacote Microsoft 365 usam o Copilot de forma consistente. Mais preocupante ainda, a preferência pela ferramenta tem caído nos últimos meses, enquanto concorrentes como o ChatGPT e o Gemini ganham cada vez mais espaço.

Para os consumidores, a situação não é diferente. Uma pesquisa da Recon Analytics com mais de 150 mil pessoas nos EUA mostrou que a proporção de assinantes que escolhem o Copilot como principal ferramenta de IA caiu de 18,8% para 11,5% entre julho do ano passado e janeiro deste ano. No mesmo período, o Gemini, do Google, viu sua preferência subir de 12,8% para 15,7%.

  • Copilot: 11,5% de preferência (em janeiro)
  • Gemini: 15,7% de preferência (em janeiro)
  • ChatGPT: Cerca de 900 milhões de usuários ativos por semana (global)
  • Gemini (Google): Ultrapassa 650 milhões de usuários por mês (global)
Publicidade

Os usuários citam vários motivos para essa baixa adesão, incluindo a maior qualidade de outras plataformas, limitações de uso e uma experiência geral que muitos consideram confusa.

Problemas internos e pressão crescente

Internamente, a Microsoft lida com problemas sérios. Funcionários atuais e antigos falam sobre dificuldades de integração entre as várias versões do Copilot e uma identidade de marca que não está clara, o que acaba frustrando os usuários. Há também a percepção de que a ferramenta é “imposta”, aparecendo automaticamente em documentos e aplicativos, o que gera resistência.

“O próprio Nadella já demonstrou frustração com a falta de integração entre as versões do Copilot”, aponta o texto-base.

Para piorar, a concorrência não para. Um novo produto da Anthropic, o Claude Cowork, tem recebido elogios por sua integração fluida em diversos aplicativos do Microsoft 365, um ponto fraco do Copilot, segundo os usuários.

As pressões não são apenas de produto. Após a divulgação dos resultados financeiros, as ações da Microsoft caíram na semana passada. Isso se soma às preocupações dos investidores com uma desaceleração no crescimento do Azure, a plataforma de nuvem da empresa.

Microsoft se defende, mas desafios persistem

Apesar do diagnóstico preocupante, a Microsoft contesta. Jared Spataro, diretor de marketing de IA para o Workspace, afirmou ao Wall Street Journal que o uso diário ativo do 365 Copilot cresceu dez vezes em relação ao ano anterior, embora não tenha divulgado números exatos.

No entanto, pesquisas internas da própria Microsoft confirmam que muitos clientes não entendem as diferenças entre as múltiplas versões do Copilot. Além disso, a empresa enfrenta limitações estruturais: o desenvolvimento de seus próprios modelos de IA foi afetado pela escassez de capacidade computacional, já que a Microsoft priorizou recursos para a OpenAI e outros clientes do Azure. Em testes recentes, os modelos próprios da companhia ficaram atrás dos concorrentes.

Scott Guthrie, vice-presidente executivo do Grupo de Nuvem e IA, defendeu que a equipe responsável é recente e que construir uma infraestrutura de larga escala leva tempo.

Ainda assim, a Microsoft reafirma seu compromisso, prometendo aumentar o investimento em poder computacional para o Copilot, mostrando confiança na capacidade de monetização da ferramenta. Contudo, analistas da UBS indicam que essa aposta ainda não convenceu totalmente o mercado, que segue atento aos próximos passos da gigante na corrida da inteligência artificial.

Leia também