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Cobra-de-duas-cabeças vira inspiração para criação de novos robôs e tecnologia médica

Pesquisadores da USP estudam como esses animais usam a própria cabeça para cavar túneis e como isso pode ajudar a ciência.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
24 de março, 2026 · 05:26 2 min de leitura

A famosa cobra-de-duas-cabeças, animal muito comum em solo brasileiro, virou o centro de uma pesquisa internacional que pode revolucionar a tecnologia. Cientistas da USP, em parceria com laboratórios da Europa, estão estudando como esses bichos conseguem cavar túneis usando apenas a força do crânio.

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O objetivo principal é entender a engenharia natural desses animais para criar robôs escavadores mais eficientes. Como as anfisbenas — nome científico da espécie — não possuem braços nem pernas, elas desenvolveram uma resistência incrível na cabeça para perfurar solos rígidos, algo que a tecnologia humana ainda tenta imitar com perfeição.

Além da robótica, o estudo vai fundo na genética. Os pesquisadores acreditam que os padrões encontrados no corpo desses animais podem abrir portas para avanços na medicina, especificamente na engenharia de tecidos e no tratamento de estruturas corporais humanas.

A professora Tiana Kohlsdorf, que coordena o trabalho no Brasil, explica que a equipe utiliza animais vivos e sequenciamento de DNA para entender cada detalhe. O grupo analisa desde a força da mordida até a forma como esses bichos se movimentam embaixo da terra, algo que sempre foi um mistério para a biologia.

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O nome popular de "cobra-de-duas-cabeças" vem de uma curiosidade biológica: a cauda do animal é muito parecida com a cabeça, e ele consegue andar para frente e para trás com a mesma facilidade. Essa característica ajuda na defesa contra predadores e na locomoção dentro das galerias subterrâneas.

A pesquisa é um desafio para os cientistas, já que observar o que acontece debaixo do solo é extremamente difícil. Para vencer essa barreira, estão sendo usadas tomografias computadorizadas e imagens em nanoescala para enxergar detalhes que o olho humano não alcança.

Com mais de 200 espécies espalhadas pelo mundo, as anfisbenas mostram que a natureza já resolveu problemas de engenharia que nós ainda estamos tentando decifrar. O projeto segue em andamento com a colaboração de especialistas da Dinamarca, Bélgica e Reino Unido.

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