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Chefe do Instagram diz que redes sociais não são viciantes

Presidente do Instagram, Adam Mosseri, afirmou em julgamento histórico nos EUA que redes sociais não são "clinicamente viciantes". O caso investiga suposta dependência.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
11 de fevereiro, 2026 · 21:57 3 min de leitura
Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock
Imagem: Thrive Studios ID/Shutterstock

O presidente do Instagram, Adam Mosseri, declarou em um tribunal dos Estados Unidos que as redes sociais não são “clinicamente viciantes”. A afirmação, feita na última quarta-feira (11), aconteceu durante um julgamento considerado histórico, que apura se as plataformas digitais causam dependência.

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Mosseri foi o primeiro executivo a depor neste processo complexo, que envolve gigantes como Meta (controladora de Instagram e Facebook) e YouTube. O caso faz parte de uma série de ações abertas por adolescentes, escolas e procuradores-gerais estaduais nos EUA.

A autora da ação é Kaley (identificada como K.G.M.), uma jovem de 20 anos da Califórnia. Ela acusa as empresas de tecnologia de criar aplicativos que estimulam o uso compulsivo, comparando-os a máquinas caça-níqueis e cigarros. Kaley abriu o processo em 2023 contra YouTube, TikTok, Snap e Meta.

Equilíbrio entre segurança e liberdade de expressão, diz Instagram

Adam Mosseri, de 43 anos e líder do Instagram desde 2018, defendeu que a empresa segue protocolos rigorosos para a segurança de adolescentes. Para ele, mesmo que as redes sociais possam causar algum tipo de dano, isso não significa que provoquem uma dependência clínica.

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“Há sempre um equilíbrio entre segurança e liberdade de expressão”, disse Mosseri. “Estamos tentando ser o mais seguros possível e censurar o mínimo possível.”

Ele comparou o uso intenso das plataformas a passar horas assistindo a uma série de televisão, mas fez questão de diferenciar isso de um problema médico mais grave. Mosseri também mencionou que a Meta, que antes tinha o lema “Mova-se rápido e quebre coisas”, agora adota uma filosofia diferente: “Devagar é suave, e suave é rápido”.

“Cassinos digitais”: as acusações da defesa da jovem

No início do julgamento, o advogado de Kaley, Mark Lanier, chamou os aplicativos do Instagram e do YouTube de “cassinos digitais”. Ele apresentou documentos internos da Meta e do Google (dono do YouTube) que, segundo ele, comparavam as tecnologias das empresas aos setores de jogos de azar e tabaco.

Lanier questionou Mosseri sobre recursos como os filtros de beleza e a rolagem infinita do feed, além de sua remuneração em ações. O advogado também trouxe à tona documentos internos de 2019, que mostravam Mosseri e o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, discutindo a possibilidade de liberar filtros que simulavam cirurgias plásticas.

Os registros apontam que outros executivos, como Nick Clegg, alertaram que a medida poderia causar dismorfia corporal em jovens. Ele chegou a escrever para Mosseri:

“Seríamos corretamente acusados de colocar crescimento acima da responsabilidade.”

Apesar dos alertas, Mosseri e Zuckerberg decidiram suspender a proibição dos filtros.

O advogado ainda mencionou um relatório interno que indicava que crianças em situações de adversidade estariam mais vulneráveis a danos causados pelas redes sociais. Quando perguntado se plataformas como o Instagram deveriam tomar precauções extras nesses casos, Mosseri respondeu: “Nós adotamos. Tentamos identificar todos os diferentes tipos de risco.”

Empresas negam vício e citam outros fatores

As empresas envolvidas no processo defendem que não existe comprovação científica de que suas plataformas causam dependência. Elas também se apoiam em uma lei federal que as protege de responsabilidade sobre o conteúdo publicado pelos próprios usuários.

  • Meta: Alegou que os problemas de saúde mental de Kaley vieram de abusos familiares e instabilidade doméstica, e não do uso de redes sociais. A empresa apresentou prontuários médicos para argumentar que a dependência digital não era o foco principal das sessões de terapia da jovem.
  • YouTube: Afirmou que não é uma rede social e que seus recursos não foram feitos para gerar vício.

Antes do julgamento, Kaley já tinha chegado a acordos com a Snap e o TikTok, embora os termos não tenham sido divulgados. Essas empresas continuam enfrentando outras ações semelhantes.

O resultado deste julgamento pode abrir caminho para que outras pessoas consigam indenizações significativas em processos parecidos e, caso a autora saia vitoriosa, pode até forçar mudanças no design dos aplicativos para torná-los menos “viciantes”.

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