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Cérebro em chip: startup cria 'data center vivo' com neurônios humanos para economizar energia

Tecnologia australiana usa células vivas para processar dados de forma mais eficiente que computadores comuns, imitando o aprendizado humano.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
28 de abril, 2026 · 21:28 2 min de leitura

Uma startup australiana chamada Cortical Labs está desafiando a lógica da tecnologia atual ao construir centros de dados que utilizam neurônios humanos vivos em vez de apenas chips de silício tradicionais. A empresa inaugurou sua primeira unidade em Melbourne e já planeja expansão para Singapura, focando em um sistema que mistura biologia com computação.

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O equipamento, batizado de CL1, tem o tamanho de uma bancada e abriga cerca de 200 mil neurônios cultivados a partir de células-tronco. Essas células ficam sobre um chip e recebem nutrientes e temperatura controlada para sobreviverem, funcionando como processadores biológicos que aprendem e se reorganizam conforme recebem estímulos elétricos.

Diferente dos computadores comuns, que seguem ordens fixas, esses neurônios conseguem se ajustar sozinhos. Em testes anteriores, os pesquisadores mostraram que as células aprenderam a jogar versões simples de games como Pong e Doom, estabilizando seus padrões de conexão conforme acertavam ou erravam as jogadas.

A grande motivação por trás da novidade é a economia de energia. Enquanto a Inteligência Artificial moderna consome quantidades gigantescas de eletricidade e água para resfriamento, o cérebro humano opera com apenas 20 watts. A ideia é que esses sistemas vivos resolvam tarefas complexas de reconhecimento de padrões gastando muito menos que as máquinas atuais.

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Apesar do avanço, a tecnologia ainda é considerada experimental e enfrenta desafios. Células vivas são frágeis, exigem monitoramento constante e não têm a mesma durabilidade de um processador de metal. Além disso, cada cultura de neurônios se comporta de um jeito único, o que dificulta a padronização em larga escala.

O projeto também levanta debates éticos sobre o uso de tecidos humanos na computação. Embora os cientistas garantam que não existe consciência nessas culturas de laboratório, especialistas já pedem regras claras para o futuro, caso esses sistemas se tornem ainda mais complexos e parecidos com o funcionamento cerebral real.

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