A ByteDance, gigante chinesa de tecnologia e empresa por trás do popular TikTok, anunciou que vai reforçar a segurança de sua nova ferramenta de inteligência artificial, o Seedance 2.0. A decisão vem após uma série de ameaças legais e críticas pesadas de estúdios de Hollywood, sindicatos de atores e até do governo japonês, que acusam a IA de criar vídeos usando personagens e imagens protegidas por direitos autorais, sem qualquer permissão.
A IA que 'pirateou' Hollywood
Lançado em 12 de fevereiro, o Seedance 2.0 rapidamente virou um fenômeno viral por sua impressionante capacidade de gerar vídeos hiper-realistas a partir de simples comandos de texto. No entanto, essa mesma precisão acendeu um sinal de alerta na indústria do entretenimento. As redes sociais foram inundadas por clipes gerados por usuários que mostravam personagens icônicos, como Anakin Skywalker e Rey de Star Wars em combate, o Homem-Aranha lutando contra o Capitão América, e até figuras de animes populares como Dragon Ball Z e Pokémon, todos reproduzidos sem autorização.
Reação em cadeia: Disney, Atores e Japão
A reação dos gigantes do entretenimento não demorou. A Disney foi uma das primeiras a enviar um aviso legal formal à ByteDance, acusando a empresa de usar uma "biblioteca pirata" de seus personagens. Os advogados da Disney descreveram a prática como um "saque virtual" das propriedades da Marvel, Star Wars e Pixar.
A preocupação foi compartilhada pela Motion Picture Association (MPA), que representa grandes estúdios como Netflix e Warner Bros. O CEO da associação, Charles Rivkin, afirmou que a ferramenta chinesa provocou uma infração "em escala massiva", desrespeitando leis que garantem milhões de empregos no setor cinematográfico.
Publicidade"A ByteDance está ignorando leis de direitos autorais bem estabelecidas ao lançar um serviço sem salvaguardas significativas contra a infração", disse Charles Rivkin em um comunicado oficial.
Além dos personagens fictícios, o uso de vozes e imagens de atores reais, como Tom Cruise e Brad Pitt, gerou indignação. O sindicato de atores SAG-AFTRA criticou a plataforma por "infração flagrante" e por comprometer o sustento de talentos humanos ao operar sem ética ou consentimento. A disputa escalou ao ponto de o governo japonês iniciar uma investigação sobre a ByteDance, após vídeos de animes populares gerados por IA circularem sem permissão.
A resposta da ByteDance
Diante da pressão, a ByteDance se manifestou em nota oficial enviada à BBC e à CNBC. A empresa declarou que "respeita os direitos de propriedade intelectual" e que ouviu as preocupações do mercado.
"Estamos tomando medidas para fortalecer as salvaguardas atuais enquanto trabalhamos para impedir o uso não autorizado de propriedade intelectual e semelhanças por parte dos usuários", afirmou um porta-voz. No entanto, a ByteDance não entrou em detalhes sobre quais tecnologias de bloqueio serão implementadas ou quais dados foram usados para treinar o Seedance 2.0, deixando muitas perguntas em aberto para a indústria.







