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Brasil se prepara para lançamento histórico de foguete em Alcântara

Em dezembro, o Brasil realiza seu primeiro lançamento comercial de foguete na Base de Alcântara, um marco que pode recolocar o país na corrida espacial global e atrair investimentos.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
13 de dezembro, 2025 · 16:44 3 min de leitura
(Imagem: Sgt Vanessa Sonaly/FAB)
(Imagem: Sgt Vanessa Sonaly/FAB)

Uma contagem regressiva especial está a caminho para o Brasil. Em dezembro, o país está prestes a fazer história com seu primeiro lançamento comercial de foguete a partir de solo próprio. A missão, batizada de Operação Spaceward, acontecerá na estratégica Base de Alcântara, no Maranhão, e tem tudo para recolocar o Brasil na corrida espacial global.

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Coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o lançamento é mais que um voo; é um teste prático para mostrar o potencial de Alcântara como um centro comercial de lançamentos, algo que se discute há décadas, mas que agora ganha forma concreta.

O foguete HANBIT-Nano e a parceria com a Coreia do Sul

O protagonista dessa história é o foguete HANBIT-Nano, fabricado pela empresa sul-coreana Innospace. Ele tem cerca de 21 metros de altura e pesa 20 toneladas, sendo capaz de alcançar velocidades de até 30 mil km/h para vencer a gravidade e chegar à órbita em poucos minutos – a viagem até a separação das cargas úteis dura cerca de três minutos.

Um dos pontos mais interessantes do HANBIT-Nano é seu motor híbrido HyPER, que usa uma combinação de combustível sólido e líquido. Essa tecnologia permite ajustar a potência durante o voo, reduz os riscos de falhas e ainda torna o sistema mais econômico e simples de operar. A coordenação de todo o lançamento, desde a autorização final até o monitoramento da trajetória, fica sob responsabilidade das autoridades brasileiras, um sinal claro do nosso avanço nesse setor.

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A janela de lançamento está marcada entre os dias 17 e 22 de dezembro. Centenas de profissionais, incluindo civis e militares brasileiros, além de técnicos sul-coreanos, estão envolvidos para garantir que tudo ocorra dentro dos mais rigorosos padrões de segurança internacionais.

O que o HANBIT-Nano vai levar ao espaço?

A bordo do foguete, oito cargas úteis seguirão para o espaço. São cinco satélites e três experimentos desenvolvidos por instituições do Brasil e da Índia. Os objetivos são variados e importantes para o avanço da ciência e tecnologia:

  • Coletar dados ambientais.
  • Testar sistemas de comunicação em órbita.
  • Monitorar fenômenos solares.
  • Validar tecnologias que poderão ser usadas em drones, veículos e sistemas de navegação no futuro.

Toda a operação é minuciosa. Horas antes do lançamento, a FAB ativa o Centro de Controle para acompanhar cada sistema em tempo real. Durante a contagem regressiva, existem pontos decisórios chamados de “GO ou NO-GO”. Se algo não sair conforme o planejado – seja por causa do clima, sensores ou comunicação – o lançamento é interrompido automaticamente para garantir a segurança de todos e do equipamento.

Alcântara: Uma base estratégica que se reinventa

A Base de Alcântara é um tesouro nacional por sua localização privilegiada, bem próxima à Linha do Equador. Essa proximidade significa um grande benefício: menos combustível é gasto para colocar um foguete em órbita, o que reduz custos, aumenta a eficiência e oferece maior flexibilidade de rotas espaciais.

Porém, apesar de todas essas vantagens naturais, Alcântara ficou subutilizada por muitas décadas. Um dos motivos foi um triste acidente em 2003, quando a explosão de um foguete VLS acabou com a vida de 21 técnicos, freando o programa espacial brasileiro. Outro desafio eram os conflitos de terra com comunidades quilombolas da região, que chegaram a ser discutidos na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Felizmente, esse cenário começou a mudar nos últimos anos. Em 2019, o Brasil assinou com os Estados Unidos o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, facilitando o uso comercial da base por empresas com tecnologia americana. Mais recentemente, em 2024, um termo de conciliação reconheceu e delimitou oficialmente o território quilombola, resolvendo uma antiga questão.

Com essas barreiras superadas, o lançamento do HANBIT-Nano simboliza um novo começo. É a chance de o Brasil atrair novos investimentos, gerar renda e se firmar como um ator importante no mercado global de lançamentos comerciais de foguetes, abrindo uma nova e promissora fase para o país no espaço.

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