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Bateria de estado sólido pode dar até 1.000 km e recarga em minutos

Pesquisadores e montadoras investem em bateria de estado sólido: até 600–1.000 km por carga e recargas em minutos, mas há desafios de materiais e produção.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
27 de outubro, 2025 · 09:35 2 min de leitura
China atinge avanços inéditos em baterias de estado sólido com autonomia de1.000 km (Imagem: DC Studio/Shutterstock)
China atinge avanços inéditos em baterias de estado sólido com autonomia de1.000 km (Imagem: DC Studio/Shutterstock)

Pesquisadores, montadoras e laboratórios de várias partes do mundo aceleraram investimentos na chamada bateria de estado sólido. A promessa é atraente: mais autonomia — até 1.000 quilômetros em alguns cenários — e recargas que podem levar apenas alguns minutos.

O que mudou

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A principal diferença em relação às baterias de íons de lítio tradicionais é simples na descrição, mas complexa na prática: o eletrólito líquido inflamável foi substituído por um eletrólito sólido. Essa troca permite aumentar a densidade de energia e reduzir o peso das células. Na prática, por isso surgem estimativas de 600 a 1.000 quilômetros por carga e tempos de recarga comparáveis aos de encher um tanque de combustível.

“Até 2010, a bateria de estado sólido era algo que seria incrível, se conseguíssemos fazê-la funcionar”, disse Eric McCalla.

Desafios técnicos

Os avanços vieram com a identificação de materiais capazes de transportar íons eficientemente em uma matriz sólida. Ainda assim, há desafios importantes, especialmente na escolha do eletrólito. Em linhas gerais, duas famílias de materiais apareceram como as mais promissoras:

  • Compostos sulfetados superiônicos: oferecem alta condutividade iônica e se adaptam melhor a processos já usados, mas são sensíveis à umidade e, ao contato com o ar, podem liberar gás sulfídrico, tóxico.
  • Óxidos: têm maior estabilidade e reagem menos com o ambiente, mas exigem processos de fabricação mais caros e complexos.

Barreiras industriais e calendário

Além das questões de materiais, há um obstáculo prático: fábricas já existentes. Empresas do setor investiram bilhões em linhas para baterias de íons de lítio, e mudar tudo isso não é simples nem barato.

“As empresas já investiram bilhões em infraestrutura de produção de baterias de íons de lítio e não querem simplesmente substituir tudo”, disse Eric Wachsman.
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Mesmo assim, pesquisadores e fabricantes traçaram prazos ambiciosos. Há projetos que planejam demonstrar protótipos em veículos até 2027 e tentar levar a tecnologia à produção em larga escala por volta de 2030.

“Se você observar o que as pessoas estão dizendo, elas afirmam que vão tentar fazer demonstrações reais de protótipos de bateria de estado sólido em seus veículos até 2027, e vão tentar comercializá-las em larga escala em 2030”, disse Jun Liu.

O que isso significa para locais como Salvador

Em Salvador e no resto da Bahia, observadores acompanharam os desenvolvimentos com atenção. Ganhos em autonomia e segurança podem impulsionar a adoção de veículos elétricos por frotas e estimular a expansão da infraestrutura de recarga — desde que o custo final da nova tecnologia fique competitivo em relação às baterias atuais.

No curto prazo, a tecnologia segue no campo de testes e demonstrações. A viabilidade industrial dependerá de soluções para reduzir custos, escolher os materiais mais adequados e adaptar — ou reconstruir — linhas de produção existentes.

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