Na atualização mais recente da lista dos cientistas mais influentes do país, com dados até agosto de 2025, a Bahia colocou 15 pesquisadores entre os nomes de maior impacto. O levantamento foi coordenado por pesquisadores da Universidade de Stanford e publicado pela Editora Elsevier, com base em dados do Scopus.
Mas o que isso significa na prática? Significa que, mesmo diante de desafios estruturais, grupos do estado conseguiram produzir ciência reconhecida nacionalmente — ainda que o caminho para manter e ampliar esse reconhecimento seja cheio de obstáculos.
Quem são os pesquisadores da Bahia?
As quinze indicações vêm de quatro universidades públicas do estado e cobrem áreas como Clínica da Saúde, Química, Biologia e outros campos aplicados.
- Universidade Federal da Bahia (UFBA): Sérgio Luís Costa Ferreira (Química); M. Dos S. Pereira (Saúde Pública e Serviços de Saúde); Luiza A. Mercante (Química); Federico Costa (Clínico da Saúde); A. R. Duraes (Clínico da Saúde); Mansueto G. Oliveira Gomes Neto (Clínico da Saúde); Bruno Fonseca-Santos (Clínico da Saúde); Daniel Véras Ribeiro (Tecnologias Habilitadoras e Estratégicas); Antônio Alberto Da Silva Lopes (Clínico da Saúde); Michael Holz (Ciências da Terra e Meio Ambiente); Franklin Riet-Correa (Agricultura, Pesca e Silvicultura).
- Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB): Matheus Melo Pithon (Clínico da Saúde); Marcos Almeida Bezerra (Química).
- Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB): Daniel Piotto (Biologia).
- Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs): Eraldo Medeiros Costa-Neto (Biologia).
Como o ranking foi feito?
O ranking avaliou cerca de 100 mil cientistas usando o banco de dados Scopus e o chamado c-score, um índice que dá mais peso à posição de autoria e reduz o efeito das autocitações. Ou seja, busca medir não só quantas publicações existem, mas o impacto real da produção científica. Foram selecionados pesquisadores entre os Top 100.000 globalmente ou entre os Top 2% em seus subcampos, com base em citações e indicadores de carreira até o fim de agosto de 2025.
Em termos de distribuição nacional, a concentração maior ficou em São Paulo: a USP teve 286 pesquisadores no levantamento e a Unicamp 107. No Nordeste, nenhuma instituição figurou entre as brasileiras com maior número de cientistas no ranking, embora a Bahia tenha representantes notáveis.
O que dizem os pesquisadores?
Muitos ressaltaram que o reconhecimento é importante, mas apontaram problemas antigos: falta de financiamento, de incentivos e de concursos públicos, que comprometem a continuidade da pesquisa.
“Não é suficiente. Há uma desistência em fazer pesquisa. Infelizmente, vivemos em um mundo que precisa de melhorias na sua vida. As pessoas brincam comigo: ‘Você é um bobo, rapaz, perdendo tempo com isso, vá ganhar dinheiro’. Preciso ter um consultório para viver. Ganho como professor, nada como pesquisador”, disse o especialista em Odontologia Matheus Pithon, da UESB.
“Na Bahia, temos grupos muito qualificados e produtivos, mas ainda precisamos de mais apoio institucional e de políticas públicas que valorizem e fortaleçam as [pesquisas realizadas no] estado”, afirmou a professora e química Luiza Mercante, da UFBA.
O biólogo Eraldo Costa, da Uefs, enfatizou a necessidade de concursos: “Ainda é um desafio, o incentivo de concursos no setor. O ideal é uma revitalização do corpo docente. Sem professor produtivo, não vamos a canto nenhum. Falo isso como alguém que vive isso na pele. É preciso ter concurso, senão o curso fecha.”
As posições no ranking podem mudar em futuras atualizações, à medida que variem citações e produção científica. Mesmo assim, a presença desses 15 nomes mostra que há capacidade e resultados importantes sendo gerados na Bahia — agora resta criar condições para que isso cresça e se sustente.







