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Bahia tem 15 pesquisadores entre os cientistas mais influentes do país

Levantamento até agosto de 2025 colocou 15 pesquisadores da Bahia entre os cientistas mais influentes do país, representantes de quatro universidades públicas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
17 de outubro, 2025 · 03:23 3 min de leitura
Foto: Montagem / Bahia Notícias
Foto: Montagem / Bahia Notícias

Na atualização mais recente da lista dos cientistas mais influentes do país, com dados até agosto de 2025, a Bahia colocou 15 pesquisadores entre os nomes de maior impacto. O levantamento foi coordenado por pesquisadores da Universidade de Stanford e publicado pela Editora Elsevier, com base em dados do Scopus.

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Mas o que isso significa na prática? Significa que, mesmo diante de desafios estruturais, grupos do estado conseguiram produzir ciência reconhecida nacionalmente — ainda que o caminho para manter e ampliar esse reconhecimento seja cheio de obstáculos.

Quem são os pesquisadores da Bahia?

As quinze indicações vêm de quatro universidades públicas do estado e cobrem áreas como Clínica da Saúde, Química, Biologia e outros campos aplicados.

  • Universidade Federal da Bahia (UFBA): Sérgio Luís Costa Ferreira (Química); M. Dos S. Pereira (Saúde Pública e Serviços de Saúde); Luiza A. Mercante (Química); Federico Costa (Clínico da Saúde); A. R. Duraes (Clínico da Saúde); Mansueto G. Oliveira Gomes Neto (Clínico da Saúde); Bruno Fonseca-Santos (Clínico da Saúde); Daniel Véras Ribeiro (Tecnologias Habilitadoras e Estratégicas); Antônio Alberto Da Silva Lopes (Clínico da Saúde); Michael Holz (Ciências da Terra e Meio Ambiente); Franklin Riet-Correa (Agricultura, Pesca e Silvicultura).
  • Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB): Matheus Melo Pithon (Clínico da Saúde); Marcos Almeida Bezerra (Química).
  • Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB): Daniel Piotto (Biologia).
  • Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs): Eraldo Medeiros Costa-Neto (Biologia).

Como o ranking foi feito?

O ranking avaliou cerca de 100 mil cientistas usando o banco de dados Scopus e o chamado c-score, um índice que dá mais peso à posição de autoria e reduz o efeito das autocitações. Ou seja, busca medir não só quantas publicações existem, mas o impacto real da produção científica. Foram selecionados pesquisadores entre os Top 100.000 globalmente ou entre os Top 2% em seus subcampos, com base em citações e indicadores de carreira até o fim de agosto de 2025.

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Em termos de distribuição nacional, a concentração maior ficou em São Paulo: a USP teve 286 pesquisadores no levantamento e a Unicamp 107. No Nordeste, nenhuma instituição figurou entre as brasileiras com maior número de cientistas no ranking, embora a Bahia tenha representantes notáveis.

O que dizem os pesquisadores?

Muitos ressaltaram que o reconhecimento é importante, mas apontaram problemas antigos: falta de financiamento, de incentivos e de concursos públicos, que comprometem a continuidade da pesquisa.

“Não é suficiente. Há uma desistência em fazer pesquisa. Infelizmente, vivemos em um mundo que precisa de melhorias na sua vida. As pessoas brincam comigo: ‘Você é um bobo, rapaz, perdendo tempo com isso, vá ganhar dinheiro’. Preciso ter um consultório para viver. Ganho como professor, nada como pesquisador”, disse o especialista em Odontologia Matheus Pithon, da UESB.

“Na Bahia, temos grupos muito qualificados e produtivos, mas ainda precisamos de mais apoio institucional e de políticas públicas que valorizem e fortaleçam as [pesquisas realizadas no] estado”, afirmou a professora e química Luiza Mercante, da UFBA.

O biólogo Eraldo Costa, da Uefs, enfatizou a necessidade de concursos: “Ainda é um desafio, o incentivo de concursos no setor. O ideal é uma revitalização do corpo docente. Sem professor produtivo, não vamos a canto nenhum. Falo isso como alguém que vive isso na pele. É preciso ter concurso, senão o curso fecha.”

As posições no ranking podem mudar em futuras atualizações, à medida que variem citações e produção científica. Mesmo assim, a presença desses 15 nomes mostra que há capacidade e resultados importantes sendo gerados na Bahia — agora resta criar condições para que isso cresça e se sustente.

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