Os quatro astronautas a bordo da missão Artemis 2 enfrentarão um dos momentos mais tensos da viagem nesta segunda-feira (6). Por volta das 19h47, a nave Orion passará pelo lado oculto da Lua, o que bloqueará completamente o sinal de rádio com a Terra. A previsão é que o isolamento dure cerca de 40 minutos.
A interrupção acontece porque a própria massa da Lua impede que as ondas de rádio cheguem às antenas da NASA. Apesar de esperado, o momento gera expectativa nas equipes em solo, que só saberão se tudo correu bem quando a cápsula ressurgir do outro lado do satélite e restabelecer o contato.
Enquanto estiverem no escuro digital, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen não ficarão ociosos. Eles devem aproveitar o período para observar crateras e formações geológicas da superfície lunar que não podem ser vistas daqui da Terra, usando a visão humana como ferramenta de análise.
Essa experiência de solidão espacial não é novidade. Há mais de 50 anos, os astronautas do programa Apollo passavam pelo mesmo desafio. O caso mais famoso foi o de Michael Collins, na Apollo 11, que descreveu a sensação de estar completamente isolado de qualquer forma de vida conhecida enquanto seus colegas caminhavam na Lua.
Além do silêncio, o dia é histórico por outro motivo: a tripulação vai bater o recorde de distância da Terra já alcançada por seres humanos, superando a marca da famosa missão Apollo 13, de 1970. A Orion deve chegar a mais de 406 mil quilômetros de distância do nosso planeta.
Para o futuro, a ideia é que esse apagão de sinal deixe de existir. Agências espaciais já planejam instalar redes de satélites ao redor da Lua para garantir que ninguém mais precise ficar incomunicável durante as próximas explorações no espaço profundo.







