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Asteroide pode colidir com a Lua em 2032; cientistas veem chance única

O asteroide 2024 YR4 tem 4% de chance de atingir a Lua em 2032. Apesar dos riscos, cientistas veem o evento como uma oportunidade única para estudos inéditos do satélite natural.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Serviço
28 de janeiro, 2026 · 22:49 3 min de leitura
Asteroide pode atingir a Lua em 2032. Crédito: Muratart - Shutterstock
Asteroide pode atingir a Lua em 2032. Crédito: Muratart - Shutterstock

Um asteroide recém-descoberto, batizado de 2024 YR4, está causando burburinho na comunidade científica e entre os entusiastas do espaço. Descoberto em dezembro de 2024, essa rocha espacial inicialmente gerou preocupações por sua possível rota de colisão com a Terra. Felizmente, essas chances diminuíram drasticamente. Agora, o foco mudou: novas previsões indicam uma probabilidade de cerca de 4% de o asteroide atingir a Lua em 22 de dezembro de 2032.

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Embora qualquer impacto espacial traga riscos — como a deformação da superfície lunar ou a eventual queda de pequenos meteoritos na Terra — um estudo recente, ainda aguardando revisão por pares, propõe uma visão otimista. Para os pesquisadores, essa colisão, se acontecer, pode ser uma oportunidade científica sem precedentes para desvendar segredos sobre o nosso satélite natural.

Um olhar para a ciência: as oportunidades do impacto

Liderada por Yifan He, pesquisador da Universidade de Tsinghua, na China, a equipe de cientistas analisou o que um evento desse porte poderia nos ensinar. O asteroide 2024 YR4 tem aproximadamente 60 metros de diâmetro. Caso ele se choque com a Lua, a energia liberada seria equivalente à de uma arma termonuclear de médio porte, milhões de vezes mais potente que impactos registrados anteriormente.

Para quem estuda colisões de alta energia, testemunhar um evento assim em tempo real seria algo inédito. Até hoje, os cientistas só conseguiram analisar fenômenos semelhantes por meio de simulações de computador ou registros indiretos. Uma observação direta nos permitiria obter dados novos e valiosos sobre a estrutura, a composição e o comportamento físico da Lua.

O que a colisão pode revelar:

  • Formação de uma nova cratera: Estima-se que a cratera formada teria cerca de um quilômetro de diâmetro e até 260 metros de profundidade. O material rochoso derretido em seu centro levaria dias para esfriar, oferecendo uma chance de observação detalhada com telescópios infravermelhos, como o poderoso Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA.
  • História da Lua e do Sistema Solar: Comparar essa nova cratera com outras já existentes ajudaria a reconstruir a história de impactos lunares ao longo de bilhões de anos, contribuindo para uma compreensão mais profunda da evolução do nosso sistema planetário.
  • "Terremoto lunar" inédito: O impacto também geraria um forte "terremoto lunar" com magnitude estimada em 5,0. Seria o maior abalo sísmico já registrado na Lua, superando todos os dados coletados pelas missões Apollo. A forma como essas ondas sísmicas se propagam permitiria investigar o interior lunar sem a necessidade de explosões artificiais.
  • Chuva de meteoros na Terra: O impacto lançaria detritos lunares para o espaço. Uma parte desse material poderia alcançar a Terra, gerando uma intensa chuva de meteoros no fim de 2032. Simulações indicam que até 400 kg de fragmentos poderiam sobreviver à reentrada atmosférica, agindo como uma "missão gratuita" de coleta de amostras lunares. No auge, milhões de meteoros por hora poderiam ser vistos cruzando o céu, com dezenas ou centenas de bolas de fogo visíveis, um espetáculo de valor científico e visual.

Os riscos envolvidos

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Apesar de tantos benefícios científicos, o estudo não ignora os perigos. Os pesquisadores ressaltam que a queda de fragmentos na Terra, embora pouco provável, poderia causar danos localizados em regiões como América do Sul, Norte da África e Península Arábica.

O maior perigo, porém, seria para os satélites que orbitam a Terra. Uma nuvem de detritos lunares poderia aumentar o risco de colisões, potencialmente desencadeando a chamada Síndrome de Kessler, um cenário onde o lixo espacial gera mais lixo, comprometendo seriamente nossos sistemas de comunicação e navegação.

Um dilema no espaço

Diante desse cenário complexo, agências espaciais avaliam a possibilidade de desviar o asteroide, embora nenhuma missão tenha sido aprovada até o momento. Os cientistas se veem em um dilema: a segurança da Terra e de seus equipamentos versus a perda de uma oportunidade científica única para observar e estudar um evento cósmico que pode revolucionar nosso entendimento sobre a Lua e o espaço.

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