A população do Irã enfrenta o maior apagão de internet já registrado em um país com conectividade ampla, ultrapassando 40 dias consecutivos de interrupção. Segundo a organização NetBlocks, o bloqueio já soma mais de 960 horas, isolando milhões de pessoas do contato com o resto do mundo.
Especialistas afirmam que a queda não é fruto de danos técnicos ou ataques externos, mas sim uma decisão deliberada das autoridades iranianas. O objetivo principal seria controlar o fluxo de informações e impedir a organização de movimentos de oposição dentro do país.
Para não ficarem totalmente mudos, os iranianos estão resgatando tecnologias antigas e buscando alternativas modernas. O rádio de ondas curtas, por exemplo, voltou a ser essencial, já que o sinal é muito difícil de ser bloqueado pelo governo, permitindo que notícias externas cheguem aos lares.
Quem tem mais condições financeiras tenta usar a Starlink, internet via satélite de Elon Musk. No entanto, o equipamento chega a custar 2 mil dólares no mercado paralelo e o uso é perigoso: há relatos de operações policiais e prisões de pessoas flagradas com os aparelhos.
Outra tática criativa é o uso do sistema Toosheh. Ele funciona via satélite para baixar conteúdos que são salvos em pen drives. Esses dispositivos circulam de mão em mão, permitindo que vídeos e notícias sejam assistidos offline, longe dos olhos dos censores digitais.
As ferramentas tradicionais de VPN, muito usadas no Brasil para acessar sites restritos, perderam força no Irã. Como a internet caiu quase totalmente, o número de acessos por esses aplicativos despencou de milhões para menos de 100 mil por dia, deixando apenas os usuários mais técnicos conectados.







